Boas a todos!
Muitos mais poderíamos usar para classificar estes V Trilhos da Açafa, tal foi a qualidade presente, mas os que considero mais apropriados são mesmo estes dois adjectivos - Dureza e Luxo.

Dureza... Em pleno início de época do pedal, Vila Velha de Rodão já nos habituou a um bonito passeio à beira rio, sempre com uma altimetria assinalável para começarmos a desenferrujar as pernas e a abrir o pulmão, algo sempre difícil, depois da inactividade promovida pelo Inverno, este ano aguçada pelos inúmeros dias de chuva que nos têm mantido em casa, bem contra a nossa vontade.

As conversas entre malta do pedal em torno desta V edição, entre outros aspectos iam evidenciando um gráfico altimétrico com algumas "paredes" importantes, que em conjunto com a muita lama e água acumulada nos trilhos, iriam promover alguns empenos na malta, o que aconteceu, contribuindo para algumas desistências dos 68 km's para o passeio mais pequeno de 35 km's.

A primeira parede, logo à saída da ponte, com zonas de pendentes bem agreste e acentuadas, associadas à muita lama bem escorregadia e ao muito "tráfego" dos quase 500 pares de rodas, começou logo ali a proporcionar para muita malta o primeiro passeio pedestre do dia para conseguir chegar lá acima... e pelo que pude registar foi o primeiro pedestre, de muitos, para muitos... Durinho, mas excelente!

Depois da Fisga do Tejo e alguns excelentes singles, uma nova "rampa de lançamento" até Salavessa, tornou a fazer estragos e quando da segunda passagem na Fisga foram muitos os bttistas dos 70 km's que manifestaram a intenção de ficar logo na primeira passagem da meta ao fim de 35 km's... a dureza do percurso não perdoa!

Para quem foi à segunda parte, o nosso caso - BTTHAL, a dureza prometia continuação, e não saímos defraudados - várias séries de subidas bem engraçadas, proporcionaram outras tantas bonitas paisagens de altitude, em que destaco a subida que nos levou a ter uma excelente vista sobre a Barragem do Açafal, assim como a arfante subida depois da Serrasqueira, que permitia uma vista sobre o vale até ao Coxerro, bem bonita por sinal. Para coroar a cereja em cima do bolo, mais uma subidinha para a zona do Tostão, que nos permitia ver lá bem em baixo a zona da meta, como que a dizer "está quase!" Duras subidas mas bem merecedoras do título de rampas para excelentes paisagens. Só por isso valeu a pena!

Luxo... Mas o adjectivo que mais evidencio foi mesmo o luxo que rodeou esta V edição - luxo nos trilhos, luxo na assistência, luxo nos abastecimentos e claro luxo no almoço! Vamos aos trilhos. Como já referi a dureza estava implícita e para mim isso já é bom. Se queremos ter alguma capacidade temos que treiná-la e aqui é um dos sítios porreiros para isso. Mas não chega...

Contudo a organização não se limitou a cozinhar trilhos com dureza... a beleza esteve lá sempre associada, bastava parar um bocadinho, olhar para o lado e apreciar... as bonitas paisagens estavam lá todas à nossa espera: Desde trilhos em altura, singles de cortar a respiração, sobretudo aqueles que partilham a Rota dos Açudes, os singles junto ao Tejo, os da Serrasqueira, entre muitos, muitos outros, de certeza que não saiu dali ninguém indiferente à qualidade do percurso escolhido pela organização - simplesmente soberbo!

A par do luxo dos trilhos, sem dúvida o luxo em torno da organização. Logo à chegada e depois dos dorsais levantados, um excelente pequeno almoço onde não faltou nada, permitiu um bom primeiro momento de convívio entre a malta conhecida - café, sumo, vinhasca, bolos, sandes e a boa da febra assada compôs logo ali a barriguinha para o gasto calórico que se avizinhava.

No decurso do passeio, igualmente nota grande para os abastecimentos e para o apoio nas zonas mais complicadas e nos cruzamentos de estrada, salientando o cuidado posto pela organização em todo o planeamento do passeio. Muito bom! O banho no final seria, sem surpresas, um banho gelado, a única nota negativa, mas sempre complicada de resolver tal a afluência de malta (500!) aos mesmos. Por fim um almocinho à maneira, bem confeccionado e em bastante quantidade, com umas sobremesas de fazer crescer água na boca... nham nham! Em resumo um luxo de passeio!

Quanto a nós, BTTHAL, acabou por ser um passeio tranquilo, sem incidentes, que deu bem para sujar o fatinho e treinar as pernas para os desafios que aí vêem. No meu caso decidi intensificar esse treino para sensações que nunca tinha vivido, uma vez que decidi, mais uma vez, levar a minha Arábica SS a passear nestes trilhos vilarodenses.

"SS ao Poder!" é, neste momento e permitam-me o regozijo, a frase que me apetece dizer!Ehehehehe... Uma vez mais provei a mim mesmo que uma bicicleta SS leva-nos onde nos levam as outras, é certo que com um bocadinho mais de esforço, mas com uma fiabilidade e simplicidade importantes. Desta vez cheguei à barreira psicológica dos 1500 de acumulado, algo que nunca tinha feito em SS, e que para mim em termos motivacionais foi muito agradável! Registo, é claro, a dureza dos trilhos, sobretudo nos meus pulsos, pois a minha "suspensão" carbónica faz muito, mas... ainda não amortece, e os km's finais naquele estradão de gravilha grossa, fizeram-me alguma mossa pulsar... nada que um merecido descanso não componha!

Para terminar este longo post fica aqui uma frase do Agnelo, a qual aqui partilho, pois espelha bem o porquê de participar nestes V Trilhos da Açafa - "é um passeio feito essencialmente para desfrutar a beleza das paisagens e dos trilhos!" A nossa filosofia!
Fiquem bem! Até á próxima... que espero para breve!
FMike :-)
PS: Algumas fotos onde apareço foram-me cedidas pelo Agnelo a quem agradeço. Agradeço-lhe ainda a companhia na primeira parte assim como a do João Fidalgo que me acompanhou em todo o percurso, demonstrando que de "pequenino se torçe o pepino". Aconselho ainda a leitura dos futuros relatos no site do Agnelo e nos blogs dos amigos AC, João Afonso, BTT-CBranco, Mulheres do BTT, entre outros. Por fim uma palavra de coragem para o Pinto Infante, que caso não sabem "perdeu" a sua amante Specializada e que vai necessitar de algum carinho para poder voltar aos trilhos.
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