quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Caminho CB- Santiago: 10 Etapa

Boas a todos!
 
Já decorreu quase 1 mês desde que realizamos mais um par de etapas na senda rumo a Santiago. Foi um mês intenso de trabalho académico, entrando numa fase que já cheira a fim! Como o povo diz, estamos mesmo a "esfolar o rabo"!
 
 
 
 
Dai todo este mais que justificado atraso. Mas cá vai um pequeno relato, daquilo que é uma bonita aventura, desta vez em plenas terras durienses, onde a vinha, a montanha e o rio dominam a paisagem. Numa palavra simples: "Lindo"!
 
 
No passado sábado dia 19 de Outubro, o dia começou cedo. Madrugar é preciso se queremos chegar ao ponto de partida com o raiar do sol. Porque é com os primeiros raios, que toda a paisagem costuma revelar-se, encher-nos o olho de bonitas paisagens e a alma de liberdade. E não nos defraudou!
 

 
Saímos de Castelo Branco ás 04:10 e ás 06:15 estávamos em Lamego. A chuva, fonte da vida, almejada por quem tem na terra o seu sustento, fez-nos companhia ao longo da mesma. Mal sabíamos que nos ia acompanhar de forma intermitente ao longo de todo o fim de semana!
 
 
Organizados os transportes e colocadas as viaturas no local de destino - Oliveira, já para lá do Peso da Régua, iniciamo-nos no Caminho pelas 07:30, pelas estreitas ruas de Lamego, que caracterizam a sua parte alta, em direção ao castelo da cidade, conhecida por Almacave. Uma parte do tecido urbano provavelmente menos conhecido, mas plena da mesma beleza que caracteriza toda a cidade. A vista daqui é magnifica!
 

 
A saída da cidade faz-se por terrenos agrícolas, em que um bonito cruzeiro serviu de ponto de foto de grupo. Daqui em pendente descendente e já pelo meio de imensas vinhas, seguíamos em direção a Souto Covo e Sande, já com o dia a despontar em toda a sua força e esplendor.
 
 
Aqui, a confusão quase se instalou ao depararmos com setas em direções opostas, sendo uma a do verdadeiro caminho milenar e a outra indicativa de um caminho mais curto, provavelmente por força das peregrinações a Fátima. Mas, decididamente, estamos nisto para calcorrear os caminhos milenares, porque é neles que se encontram os recônditos monumentos e paisagens que o caracterizam. E ainda bem que a nossa tónica é esta!
 

 
Reorganizado o grupo, à saída de Sande encontramos um duriense de gema, António de seu nome , já com algumas 60 primaveras, que da porta da sua "modesta" adega, ali paredes meias com o Caminho, nos convidou a entrar.
 

 
O intenso cheiro a mosto e a vinho não nos defraudou. Entre inúmeras garrafas, os 6000 l de vinho "normal" e cerca de 80 l de aguardente, repousavam algumas pipas com 600 l do fabuloso néctar, conhecido comercialmente por Vinho do Porto , mas ali, vincadamente, vinho generoso!
 
 
Como vinho generoso, o amigo António quis provar-nos de onde vem  tão puro adjetivo. Generosamente, com recurso a um jarro daqueles que as nossas avós utilizavam para a água de lavar a cara, encheu-o de uma das bicas e com um garboso sorriso encheu-nos os copos com um néctar daqueles que não conhecemos em lado nenhum... aveludado, com o toque certo de álcool, com o sabor imenso das uvas de xisto, que a região demarcada apregoa. Sublime!
 

 
Mas o tempo corria e ainda tínhamos muto pela frente. Com uma alegria liberta pelo efeito generoso, descemos até ao vale do Varosa, num local chamado Sala de Audiências do Diabo, dominada a jusante com o paredão da barragem e lá bem em baixo pela lindíssima ponte romana que atravessa o rio.
 
 
Eram 10:10 h mas a sensação é que o tempo aqui parou com todas aquelas marcas de romanização, lado a lado com uma pequena capela dedicada ao N. Sr. da Boa Morte. Percebe-se bem porque o Caminho passa aqui! Icónico!
 

 
Depois de um workshop sobre geocaching, iniciamos a subida do vale até Valdigem, onde às 10:45, o nosso carro de apoio nos esperava para mais um peq. almoço daqueles que nem nos hotéis de 5 * apanhamos! Ótimo!
 
 
Saídos de Valdigem, o Caminho embrenha-se nas inúmeras quintas, plenas de vinhedos, montes e vales, até onde a vista chega! Os rios Corgo e Varosa embrenham-se nesses vales, sempre bem lá embaixo. A sensação é de estarmos no topo do mundo, com todo a vinha aos nosso pés. Lá ao fundo o Douro brilhava com as 3 pontes de Peso da Régua a dominarem a paisagem. Estamos definitivamente no fabuloso património da humanidade conhecido pelo Alto Douro Vinhateiro!
 

 
Eram 12:40 e a travessia do Douro faz-se pela ponte pedonal, que deveria ter servido para linha de Caminho de Ferro mas que nunca iniciou funções. Outros tempos, em que a crise soberana de Portugal ditou o abandono de inúmeras obras públicas. Um filme antigo, que agora estamos novamente a viver. Portugal é mesmo um destino de gente sem escrúpulos que se intitulam dirigentes de uma nação. Adiante!
 
 
Peso da Régua fervia de atividade turística, apesar do dia húmido e chuvoso que começava a dar sinais de querer piorar. Depois de um café junto ao rio, fizemos toda a zona ribeirinha, em direção ao ponto que marcava a subida mais dura do dia, que nos levaria a Sergude.
 

 
Em Sergude, depois de recuperarmos um pouco as forças, reiniciam-se as "hostilidades" com mais um imponente subida até Fontelas. Contudo, quem muito sobe, sabe que as vistas tornam-se cada vez mais bonitas. E apesar da chuvinha miudinha que ia caindo, era possível ver bonitos vinhedos.
 
 
De Fontelas a Oliveira, o Caminho faz-se por alcatrão, mas nem por isso é menos interessante, pois encontramos outro duriense, o sr. Diamantino que sem ser viticultor, tem no produto da safra da vinha, o seu ganha-pão. Entramos numa secular oficina de tanoeiro, onde as madeiras ganham forma e estanquicidade para acolher o generoso e dar-lhe corpo e alma!
 

 
às 15:30 estávamos no sope da Igreja de Oliveira onde demos por findo o 1º dia, com 22 km, 650 m D+, a uma simpática média de 4,1 km/h. Segiu-se o opíparo almoço e o regresso a Peso da Régua onde o Hotel Império nos iria dar guarida. Durante o resto da tarde e noite, foi tempo de conversa da boa, umas jolas para eliminar os "ácidos lácticos", e um divertido jantar no restaurante Gato Preto.
  

 
Ate breve, já com a 11 ª Etapa
 
FMike :-)
 

domingo, 3 de novembro de 2013

São Vicente da Beira

É muito bom voltar a sentir uma liberdade “quase total” para fazer aquilo que mais gostamos! Ainda que esta liberdade seja temporária… (as lides académicas ainda não estão totalmente concluídas!)… vou dar-me ao luxo de durante esta semana não tocar em nada que tenha a ver com mestrado! Está dito e… será feito!


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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Aldeia de St. Margarida e Martianas

O ultimar das lides académicas ditaram uma pausa de bicicleta de quase 1 mês! A vontade de lhe pegar era mesmo muita! Hoje com uma manhã por minha conta decidi pegar-lhe e ir vadiar um pouco para avaliar os estragos de quase um mês de paragem!


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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fim de semana a Feijão! - 2013

Boas a todos! :-)

Sim eu sei.... estamos atrasadíssimos nos posts! Mas pronto, tem sido por uma boa causa, pois o trabalho académico de ambos avança a bom ritmo e brevemente será concluído.... falta mesmo esfolar o rabo!


 

Como as horas de computador são "poucas" decidi "aliviar a carga" e escrever mais umas quantas "linhas de material informático", hoje aqui no blog.




O motivo é simples, apenas um tributo a uma causa, a uma maneira de estar (bem!) na vida, a um evento que já tem pergaminhos e que é "obrigatório" no bom sentido, revisitar ano após ano!





Falo-vos da Feira do Feijão Frade da Lardosa e da boa  maneira de receber e conviver das pessoas da Lardosa, dos amantes das pasteleiras, dos caminheiros e claro do amigo Pinto, a quem fiz questão de dar mais uma vez os parabéns. A organização é da Junta, mas a "alma" é toda dele e da equipa que o ajuda e poe aquela "máquina a funcionar sobre rodas"!!


 

Desde o primeiro evento tenho repetido o fim de semana a Feijão, no sábado com as pasteleiras, no domingo a caminhar. Se puder continuarei por muitos e bons anos. E espero vir aqui fazer o relato do bem que sou recebido. Este ano apenas deixo este pequeno testemunho e algumas fotos, pelas condicionantes de tempo que tenho.




Um grande abraço á rapaziada amiga que connosco alinhou e claro ao amigo Pinto. Bem hajam!

FMike :-)


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Monsanto

Fazia já algum tempo que não ia pedalar por essa estrada fora! A vontade crescia… mas por vezes a disponibilidade não é muita… eu diria, quase nenhuma nesta altura em que o campeonato académico se decide quase ao segundo (subentenda-se o sentido metafórico da ideia)! Durante a semana troquei umas mensagens com alguns companheiros e apercebi-me que pairava no ar a ideia de uma ida a Monsanto. Fixe… pensei! E porque não juntar-me ao grupo! Assim foi…


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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Por Terras do Demo >Dia 2 - 9ª Etapa

Boas a todos

A noite foi curta, pois pelas 05:30 a modesta residencial que nos deu abrigo para a pernoita, agitou-se com o nosso alvoroço para regressarmos aos Caminhos de Santiago. Ali ao lado, uma "imponente" discoteca "bombava" música cá para fora, mas nem isso foi impeditivo de um merecido descanso. Enquanto nós acordavamos para recomeçar o dia, a noite ainda era uma criança para os apreciadores destes espaços noturnos. Um "camone" aquela hora matutina, bem "encharcado em molho" perguntou-nos pela discoteca, ali com ela mesmo ao lado que nem a via.... tal era a "anestesia" que trazia!



 
Acordada a "Chila", a "bébé mochila" do Zé Manuel que dormiu no berço do nosso quarto (private joke) aprumamos-nos e aperaltamos-nos, para regressar a Moimenta para iniciarmos mais uma etapa. Já sabiamos que os 30 km de distância de Lamego reunia alguma dureza, mas nada que fizesse diminuir a expetativa dos caminheiros. Pelo contrário. Sabiamos que nos esperava mais uns quantos pares de caminhos, daqueles de encher o olho aos mais exigentes, com bonitos recantos deste Portugal profundo!



 
Ainda só com o lusco-fusco da madrugada, iniciamos o percurso por caminhos mais ou menos planos até á pacata aldeia de Beira Valente, iniciando-se ai uma das muitas subidas do dia que nos levou até Sarzedo. Ao longe os cumes agitavam-se com as eólicas. Nos nossos pés, passavam os kms de calçada romana, mostrando que estes são mesmo caminhos milenares. As macieiras continuavam a dominar a paisagem... raios parta tanta maçã! :-)!



 
A bonita aldeia de Sarzedo esconde alguns bonitos edificios e igrejas, em ruas estreitas e pedregosas, que aquela hora da manhã, ainda tinham pouca população fora das 4 paredes. Já fora da aldeia, eram as imponentes culturas que brilhavam ao sol nascente que começava a aquecer-nos o "lombo" depois do frio da madrugada!
 
  
 
 
Seguiram-se um bom par de caminhos, alguns um pouco "sujos" com mato e silvas, e quase sempre em pendente ascendente que nos levaram até Granja Nova. A entrada nesta localidade é feita pelos trilhos que ligam varias propriedades seculares e é bem composta por uma antigo fontanário, onde aproveitamos para uns desenhos e uma boa meia hora de conversa com os curiosos aldeões dali presentes. "Rapaziada" desejosa de saber quem nós eramos e o que fazíamos ali aquelas horas...



 
"Abancamos" para o pequeno almoço, na praça central, pois o corpinho ja pedia uns canecos, broa e uma cafezada. Ali ao lado, na bonita igreja, seguia a eucaristia de domingo, com o "tradicional" grupo de homens á porta do tasco a ver quem passava e a "coscuvilhar" a vida dos outros! ;-) O verdadeiro Portugal.



 
Com o vale do Távora já para trás, ao sairmos de Granja Nova entramos em descida para o vale do rio Varosa, num percurso lindissimo entre vinhas, pomares, castanheiros e singles fantásticos, que nos levaram a uma riquissima povoação em historia e cultura - Ucanha! Meus amigos, aqueles singles pedem bike! Óh se pedem!



 
À medida que nos aproximamos da povoação, cheia de casas tipicas, apercebemo-nos de uma imponente torre fortificada e uma ponte medieval que atravessa o Varosa, dominando toda a paisagem envolvente. Outrora esta era uma construção atribuida ao poderio do mosteiro cisterciense de Salzedas, que aqui cobrava portagem a quem passava na ponte... uma "A23 medieval" também portagada... velhas medidas, um  mesmo problema - dinheiro!



 
A partir daqui entramos na parte mais exigente do percurso, um verdadeiro "rompe-pernas", alternando  subidas de pendente acentuada, com descidas abruptas, alternando os caminhos entre os vales do rio Varosa e o vale do rio Balsemão. Contudo a paisagem é simplesmente de fantástica, bem emoldurada com imponentes solares, vinhas, pomares e inumeras aldeias e vilas, entre elas Gouviães, Eira Queimada e Várzea dos Abrunhais.



 
Já com o novo hospital de Lamego á vista, seguem-se duas "terriveis" subidas, com pendentes dos 10% para cima, que aquela hora, pejada de calor causaram algum cansaço à "rapaziada". Contudo, o tempo era de alegria, pois mesmo perante a adversidade, havia quem ainda trauteasse algumas musicas populares, a fazer lembrar que a melhor atitude perante a adversidade, é a alegria!



 
A entrada em Lamego é novamente em pendente ascendente, terminando nas imediações da Sé de Lamego, um riquíssimo património histórico que rivaliza com o Santuário da N. Sr.ª dos Remédios, que praticamente domina toda a paisagem da cidade. Uma cidade lindíssima que já não visitava há algum tempo. Contudo, com tantas obras a decorrer, é um "pandemónio" andar por ali! Tava a ver que para sair daquela cidade tinha de meter um "decreto papal"!



 
Depois de recuperadas as energias com um lauto almoço de feijão pequeno com atum e ovo, servido ali mesmo á sombra dos plátanos do jardim, paredes meias com a subida ao Santuário, foi tempo de despedidas e de regressar a casa e à realidade. Já o disse e torno a dizer... habituava-me facilmente a esta vidinha de peregrino!




Em Outubro há mais, com mais dois dias a ligar Lamego a Mesão Frio e Mesão Frio a Amarante, entrando na bonita bacia do Douro. Mas para lá chegar, esperam-nos as mais duras etapas de todo o caminho, com altimetrias em 30 km capazes de rivalizar com as subidas à Estrela em bike.




Ultreia - Bom Caminho

FMike :-)