quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Porque... vale a pena partilhar!

Bicicletas e Desenvolvimento Rural
Uma parceria sustentável

Por: Paulo Alves
In:


Fazendo uma retrospectiva, acho que sempre houve bicicletas na minha vida. Ainda me lembro de tentar pedalar sem as "rodinhas" laterais ou daquela árvore que se atravessou na minha frente (ainda hoje, tenho quase a certeza que ela se moveu sorrateiramente). Os meus pais são oriundos de aldeias do "Portugal Profundo", algures na Serra do Moradal. Certo dia, um amigo dos meus pais disse-me "nunca esqueças as tuas origens". Por vezes, as suas palavras ainda fazem eco na minha mente. E, se é verdade que - neste percurso que é a vida - mesmo que tenhamos tentado (ou por vergonha ou simplesmente por ser do contra) renegar essas mesmas origens, acabamos sempre por nos orgulhar das mesmas, fruto de um amadurecimento pessoal e da valorização do nosso património, da nossa cultura, do nosso povo. Devemos orgulhar-nos das vivências, dos pequenos nadas que - no fundo - são os que permanecem na nossa memória e são também aos quais recorremos mais do que imaginamos. Portugal é essencialmente rural. Mesmo em cidades de dimensões médias - como é o caso de Castelo Branco - ainda conseguimos sentir um viver descontraído, como que a apreciar o tempo mesmo que - por vezes - pareça que andemos todos ao ritmo do ponteiro dos segundos. Mas, mesmo vivendo nestas cidades, sentimos o desejo de nos evadir da rotina, de sentir o vento na cara, de cheirar as diferentes essências que só a Natureza consegue produzir e isso, são experiências únicas e individuais. Há alguns anos atrás - mais concretamente 1999 - voltei a andar de bicicleta. Curiosamente, vivia então numa aldeia perto de Castelo Branco. Na altura, serviu essencialmente para descontrair ao fim do dia de trabalho e explorar os inúmeros caminhos rurais que temos o privilégio de ainda podermos percorrer. Este "retomar" da bicicleta foi o início de muitas voltas. Foi também o reencontrar de locais, ou melhor, a descoberta de locais que - sem este meio de locomoção - muito dificilmente teriam sido registados na minha memória para revisitá-los sempre que quiser. Foi ainda a causa de grandes amizades criadas aos longo de cada pedalada. Muito raramente pedalo só. Tenho o privilégio de acompanhar algumas das pessoas mais genuínas que conheci ao longo da vida. Partilhamos emoções, partilhamos vivências, partilhamos pequenos nadas. Ali, somos apenas parte de um todo. Esse todo fervilha constantemente no sentido de manter a amizade pura. Acredito que contagiámos ao longo destas pedaladas, inúmeros habitantes rurais, no sentido de trocar palavras, trocar apertos de mão e até abraços como se de familiares se tratassem, ou amigos de longa data. São estes momentos que nos tocam e que ficam para sempre. De forma a que parte deste espírito permaneça, tentamos sempre captar alguns momentos com as nossas máquinas fotográficas com a finalidade de publicar nos nossos blogues. Talvez este seja um excelente meio de promoção do Portugal Rural, em que nos inserimos. Talvez seja a vontade de partilhar algo que nos tocou de alguma forma.

Paulo Alves

terça-feira, 1 de novembro de 2011

De Camioneta... pelos Singles!

Entrámos no horário de inverno, dias mais pequenos, menos tempo de luz, saímos do trabalho já no lusco-fusco… bahhhh!!!, detesto este horário macambúzio em que quase não temos tempo para ver a luz do dia! E porque não atrasar este horário invernal por mais um dia!?!?! Ou melhor… por mais uma manhã! Uma manhã de BTT! Eeheheh…


Por sugestão do Fidalgo via email, optámos assim por nos reunir no Centro Cívico pela hora antiga, rejeitando à partida mais 1 hora de sono em prol de mais 1 hora de BTT! Ideia fantástica… caso não tivesse havido 3 “traições de nova geração”, por parte dos telemóveis que quase com “vida própria” orientam-se melhor que os seus proprietários! Eehehehe… Resultado… o atraso do João Valente (ops!), do Dário Falcão e do Nuno Maia… resultou não no ganho de 1 hora… mas para aí 15 minutos!!!! Nada de grave!


Hoje… na verdade, não podia perder a oportunidade que tinha em mãos! Tanto se fala nas bicicletas 29er’s que haveria de chegar o dia de experiementar uma! Hoje foi esse dia! O Rui da Loja Amieiro Bikes deu-me a oportunidade de fazer uns quilómetros com a Specialized Carve Comp 29… uma autêntica camioneta de rodas grandes, que hoje tive por minha conta durante 50Km’s de sobe, sobe, desce, sobe, sobe, óptimos para testar e comparar a sua performance à minha carbónica 26!


Com nove elementos no grupo de hoje (Abílio Fidalgo, Dário falcão, Nuno Maia, Luís Patrício, Rui Salgueiro, Pedro Antunes, João Afonso, Filipe Salvado e eu (João Valente), seguimos a orientação sábia do João Afonso… e imaginem lá para onde foi a rota!??? Fácil… muito fácil! Seguimos para o seu “habitat” natural… Maxiais, Retaxo, Sarnadas de Rodão, Represa, Benquerenças e respectivas imediações… onde, claro está, os singles-tracks foram reis e senhores… mais na 2ª metade do percurso! Ou não fosse ele o João Alfonsingles! Ehehehe…


No que toca à 1ª metade da volta, a incidência recaiu mais num aquecimento mais musculado com uma sequência de sobes e desces consideráveis (!) ali para as bandas dos Maxiais e arredores… Quanto a mim trilhos soberbos para testar a Big Wheel que hoje cavalgava!


Mas… que dizer da Roda 29!?!? Bom… na verdade dos factos, a bicicleta é para mim um todo, não se resumindo à soma das partes! Uma 29er com um determinado nível de equipamento é certamente uma bike capaz de me fazer um sorriso rasgado nos lábios!


Para aqueles que temem os trilhos mais técnicos (como eu!) e que temem as descidas mais abruptas e irregulares (como eu!)… pois bem, a diferença para a 26 é mais que notória! Segurança é a palavra que melhor descreve o comportamento da bicicleta! A “Camioneta” é mesmo boa para galgar este tipo de terreno! Confere-nos confiança e segurança acrescida.


No que toca ao vulgar estradão, limpo e rolante… a “pedalada mais redonda” que se consegue com esta envergadura de aros, traz também a sua vantagem, desde que tenhamos em associado uma transmissão à altura! A Specialized Carve Comp, com algumas alterações ao modelo original (para melhor!), está equipada com 2 pratos 26 - 38, cumprindo a sua função!


A subir… era onde tinha as minhas maiores dúvidas e incertezas! Nas primeiras subidas da manhã, subidas bastante íngremes e longas não consegui tirar o partido das rodas grandes em virtude do espigão de selim ter descaído (falta de aperto). Com os devidos ajustes (um pouco a medo, pois este quadro 17,5 obrigou-me a passar um bocadinho a marca limite do espigão), lá encontrei uma posição equilibrada permitindo-me saborear o “galgar” da camioneta nas zonas mais técnicas e ascendentes! Aquela “Peligrosa” foi mesmo um mimo!


Considero que as 29er’s serão uma aposta ganha e certamente vieram para integrar dentro de cada marca alguns modelos. Mas as 26… irão concerteza, manter-se por muitos e bons anos! Esteticamente penso que as 29er’s enquadram-se melhor em pessoas mais altas (o meu caso) perfazendo um conjunto (men-bike) mais harmonioso! Já nos mais “atarracados!”… ficam as minhas reticências! Ehehehe…


Mas não falemos apenas de “Rodas Grandes”… falemos da “Grande Camaradagem” e dos “Grandes Momentos” também vividos durante esta manhã! Com saboreio da dose de cafeína nas bombas do IP2 - Sarnadas de Ródão, o “abafadinho” da ordem nos aposentos do meu avô na Represa e as fatias de pizza oferecidas pela família Maia (Nuno Maia) já em Castelo Branco…quase que poderíamos considerar esta voltinha gastronómica!! MuitoBom!


A temperatura ainda com resquícios de verão ajudou à festa dos singles do João Afonso, dos quais a malta gostou! Pena foi mesmo o azar do Filipe salvado, que já em cima da cidade teve de demonstrar a sua técnica apurada na resolução de um “furo verde”! Qual Drº Elolink… qual quê!?!!?


Em resumo…resumido: uma excelente manhã de roda grande, barriga cheia, trilho estreito e boas amizades!


PS: Um obrigado sincero ao Rui pela oportunidade de teste da Specialized Carve Comp 29

Até lá ao alto… no Outono da Estrela 2011… já no próximo Domingo.

João Valente

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Gardunha 1200

Finalmente o Outono chegara! Os dias quentes parecem mesmo fazer parte do passado do Verão que teimava em manter-se por cá! Com o Outono damos as boas vindas aos dias mais frescos, ao cair da folha e às cores magníficas que caracterizam esta época do ano! Eu pessoalmente adoro pedalar com este tempo!


Par dar-mos as boas vindas ao Outono, marcámos uma incursão pela bonita Serra da Gardunha, onde o objectivo era mesmo a diversão entre amigos, o desfrutar de uma espectacular zona para a prática do BTT e aproveitar em simultâneo para registar as magníficas cores outonais que vão começar a caracterizar a nossa natureza!


O ponto de encontro e também de partida para esta manhã, foi em Alcongosta, pelas 8:00. Implicou um acordar, ainda mais cedo que o habitual, mas, todos sabíamos que iria valer o sacrifício! E valeu a sério!


Ao todo, reuniram-se 10 pedalantes, com vontade de galgar algumas das zonas mais técnicas e mais bonitas desta Gardunha, tão bonita e tão perto de nós! Abílio Fidalgo, Agnelo Quelhas, Álvaro, Dário Falcão, João Valente, Luís Lourenço, Nuno Dias, Pedro Antunes, Pedro Roxo e Rui Salgueiro.


Com o relógio a passar poucos minutos das 8:30, abandonámos Alcongosta e começámos a subir a serra por asfalto durante 2Km’s, onde virámos para piso térreo que nos levaria à conhecida Casa do Guarda. Um aquecimento algo rápido, visto que a inclinação era considerável! Aqui a paisagem longínqua e em altura por toda a Cova da Beira começava a demonstrar que, defacto estávamos a pedalar em contexto de serra. Magnífico!


Em vertente ascendente continuámos em direcção ao ponto mais alto do dia, próximo dos 1200 metros. À medida que a altitude aumentava, surgia o nevoeiro, escondendo a longa subida que tínhamos pela frente, mas, também escondendo a espectacularidade da paisagem envolvente! Em tom de piada ainda houve quem dissesse… não se vê… imagina-se!!! Muito bom ambiente entre este colorido pelotão!


Encobertos em nevoeiro bastante cerrado e algum frio à mistura, com excepção para o Pedro Antunes, que ainda se mantém com o termorregulador programado para o Verão (joke!!!), começamos a descer para a vertente sul da Gardunha, em direcção a Castelo Novo. Esta zona de descida algo técnica e perigosa fez as delícias dos mais afoitos e também do Test Driver Pedro Roxo que trazia uma “Big Wheel” 29r! Era vê-lo galgar pedra, sem que os buracos fossem qualquer tipo de adversidade! Também quero experimentar uma “camioneta” destas… e em breve!!!!


Na zona do marco geodésico, onde se cruzam os caminhos vindos de Castelo Novo e São Fiel virámos à direita, para subir um pouco até apanhar-mos o trilho que desce para o Casal da Serra. Nestas zonas mais baixas, o esplendor das cores outonais começa a assumir a proporção que todos esperávamos! Muito bonito!


Com as proximidades do Casal da Serra, onde não entrámos no coração da aldeia, tomámos a direcção de um magnífico e algo perigoso single track por onde alguns já tinham passado numa das Voltas do amigo Pinto Infante.


Daqui seguimos em descida para o Louriçal do Campo, uma descida bastante divertida com algumas zona de areia a fazer ter atenção redobrada ao pessoal! Ainda assim a diversão foi garantida neste curvar e contra-curvar, por entre a vegetação outonal!


Depois de alguma hesitação no que toca ao local de abastecimento no Louriçal do Campo, lá assentámos arraiais num café local para trincar qualquer coisa e para 2 dedos de conversa fiada… ou mesmo 2 ou 3 disparates do Agnelo e do Fidalgo! Ehehehe…


Do Louriçal do Campo, fizemos ligação até à Póvoa da Atalaia, com paragem na ponte da Ribeira de Alpreade, onde fizemos uma original fotografia de grupo para a posteridade! Muito fixe!!


Seguiu-se a ligação a Alpedrinha, mais uma vez, com o Outono a mostrar todo o seu esplendor! A subida de Alpedrinha até à Curva grande fez-se por asfalto afim de evitar um sobe, sobe, desce, sobe… no entanto esta opção também não foi meiga!! O acumulado aumentou e no que me toca a mim… também o gozo aumentou!


Junto à Curva Grande, onde também temos uma vista privilegiada por toda a Cova da Beira e onde facilmente conseguimos identificar a Serra da Estrela, a cidade da Covilhã e mais perto, uma típica aldeia beirã, o Alcaide, virámos à esquerda para entrar de novo em percurso de terra.


Sucedem-se algumas rampas de trilho técnico, algumas delas bastante acentuadas e passam-se diversas zonas de mata de carvalho, repletas de folha caída! Para mim umas das zonas mais bonitas que percorremos nesta manhã! Antes da descida final para Alcongosta, passámos pela caçada medieval que liga esta aldeia a Alpedrinha.


Com as 13.00 quase a bater no campanário da aldeia, chegámos às viaturas de apoio! A opinião era unânime, tinha sido uma manhã impecável de BTT, com um espírito muito positivo e animado, e com São Pedro a ajudar e a poupar-nos sem uma única pinga de água! Fantástico!


A expectativa era grande para o dia de hoje e em nada saiu defraudada. O Agnelo traçou um percurso equilibrado, acessível a todo o grupo e com passagem em zonas de ímpar beleza! É disto que a malta gosta! Aguardamos pela próxima aventura já no próximo fim-de-semana, 30 de Outubro, no local habitual – Centro Cívico de Castelo Branco pelas 8:00.

Até lá…
Boas pedaladas
João Valente
Gardunha 1200

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Valmourão "landscape"...

8 dias passados desde a visita à Serra do Moradal e a sua paisagem envolvente (“Moradal Landscape”), hoje, queríamos mais do mesmo! Para onde virar azimutes? Simples… basta abrir o vasto site do geocaching.com e sucessivos destinos nos surgem… todos eles capazes de nos fazer transpirar, divertir e aventurar em cima de uma bicicleta!


Na boa companhia do FMike e com o mote de fazer a despedida deste Verão tardio, dando em simultâneo as boas-vindas a este Outono quase Inverno, decidimos rumar a uma zona de esplendoroso valor paisagístico - Vale Mourão!


As Portas de Almourão ou Vale Mourão situam-se entre Sobral Fernando (Proença-a-Nova) e a Aldeia do Xisto Foz do Cobrão (Vila Velha de Ródão). A paisagem, essa continua selvagem, magnificada pelas escarpas quartzíticas, pelas imponentes dobras tectónicas e pelo profundo rasgão na paisagem que é o Vale do Ocreza. A diversificada paisagem geológica suporta ecossistemas muito bem preservados, dos quais se salienta a importante área de nidificação de aves de rapina. Do ponto de vista arqueológico, destaca-se o conhal de Sobral Fernando, antiga exploração aurífera romana de aluvião e as lendárias galerias subterrâneas de origem desconhecida que se encontram ao longo da margem direita do Ocreza. Um tesouro mesmo aqui pertinho de nós!


Com a saída de Castelo Branco pelo IP2, depressa cruzámos Alvaiade e mais depressa ainda chegámos ao Miradouro sobre as Portas de Vale Mourão, onde pudemos apreciar uma vez mais todo este esplendor paisagístico. Também aqui demos lugar ao nosso “tempo geocaching”, desta vez com uma geocache cultural relativa às dobras tectónicas e demais fenómenos geográficos bem patentes nas íngremes e escarpas das encostas desta zona.


Ainda podemos observar, indagar e opinar acerca da dúvida instalada em torno da futura Barragem do Alvito. Irá perde-se uma das importantes referências patrimoniais do território dos concelhos de V.V. de Ródão e Proença-a-Nova, monumento do Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, integrado na rede Europeia de Geoparques. Lamenta-se que a este facto não tenha sido dada a merecida relevância em matéria de protecção do património. Poderá ou irá (?) perder-se um vale de grande beleza sem que saibamos ainda se os ganhos hidroeléctricos irão ser realmente relevantes. Fica a dúvida/ inquietação no ar!?!


Da Foz do Cobrão, tomámos rumo em direcção a Alvaiade, pela antiga Estrada CM1355, virando depois para Tavila, e suas sucessivas descidas até Vila Velha de Rodão, onde parámos para abastecimento na Bolaria Rodense, palco habitual de paragem dos asfálticos.


Daqui até à cidade de Castelo Branco, sabemos que a subida é inevitável, optando assim pela vertente Coxerro - Cebolais de Baixo - Retaxo e Represa. Na zona da Serrasqueira, onde a inclinação é mais desconfortável trocámos conhecimento com um Peregrino de Santiago, Victor Lavoura, caminheiro de muitos dias desde Olhão rumo a Santiago de Compostela! Vale a pena espreitar o seu cantinho da blogosfera (AQUI) onde relata as suas aventuras diárias e em solitário! Não é para todos!


Com a aventura deste homem no nosso pensamento, seguimos rumo até à Represa onde parámos para cumprimentos familiares e respectivo “abafadinho”, marca da casa! Ahhhhhh! Que bela pomada! Era tempo de seguir para a cidade!


As 12.30 quase batiam no relógio quando entrámos em Castelo Branco, com quase 80Km’s bem desfrutados ao longo desta manhã já de Outono… mas ainda com muito sabor a Verão! Venham mais como esta!

João Valente

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Trilhos da Raia - Reportagem LocalVisão

Boas amigos

Uma curiosidade que encontrei na net..

Deixo aqui o video da reportagem da LocalVisão sobre os VII Trilhos da Raia, onde estão em grande plano alguns companheiros habituais do BTT - Fidalgo, Marcelo, CLI, João Valente e mais uns quantos...



Abraço

FMike

domingo, 16 de outubro de 2011

Trilhos da Raia - 2011

Boas

Lá diz o Martinho Silva (o tipo que faz os anuncios do Continente) que há muitos hipermercados que se auto-publicitam como os mais baratos mas que na realidade são os estudos independentes a demonstrar que a grande superficie "dele" é que é realmente a mais barata... Tricas de publicitários... com algum fundo de verdade talvez!


Pois bem, cá pelo nosso cantinho pedalistico não há esse tipo de estudos independentes, mas temos a nossa realidade vivida, sentida quando vamos pedalar a algum lado. E há de tudo um pouco em termos de eventos organizados... Muito bom - volto pro ano!, bom - talvez volte... o assim-assim - se calhar não me apanham cá mais! e claro o mau - uma cruz na porta!


Muitos foram os eventos frequentados por nós ao longo destes anos todos ligados ás bicicletas, um pouco por todo o lado. Alguns nunca mais repetimos, outros deixaram-nos saudades, outros ainda fazemos questão de marcar presença, ano após ano.


Porquê? A verdade está no tal "estudo independente" que aqui nos diz não se é barato, mas sim se é bom. E os "investigadores" desses "estudos" foram simplesmente 800 pedalantes!... E a palavra final foi unânime penso eu. Basta olhar para a malta que terminava os trilhos com a face sorridente, ouvir a opinião positiva deste ou daquele amigo, passar pelos foruns da especialidade, ou melhor ainda, sentir na pele se essa qualidade estava presente... e estava bem presente! Como o Fidalgo diz: EESSPPÉÉÉTTTÁÁÁCCULLLOOO!


O representante da autarquia da vila disse logo no discurso de inicio do evento uma frase que me ficou a ecoar todo o dia nos ouvidos - "Benvindos ao concelho mais português de Portugal!" Bem se dúvidas houvesse bastava misturar-se na "multidão" garrida que se "atropelava" no pórtico da partida. Aqui havia um bocadinho de Portugal por todo o lado. A presença de ciclistas do norte ao sul "nacionalizou" este evento que aqui á uns anos era quase só nosso, beirão por excelência. Se isto não é sintoma de qualidade, capacidade organizativa, dedicação e muita humildade, alguém se chegue á frente e tente fazer melhor! Não consegue!


Pois bem, este definitivamente é um dos tais eventos que classifico de muito bom e que para o ano volto. E vou ter mesmo de voltar, pois este ano fiquei ligeiramente "aguado" e dai também este post ser um pouco mais curtinho.


Hoje tinha "a rédea curta", ou seja por motivos familiares tinha o tempo limitado, pelo que já me tinha decidido a ir somente á volta pequena dos 50 km, algo que nunca tinha feito neste belo evento, portanto uma estreia para mim e para o João. Mas o que não contava é que iria ser não uma volta pequena, mas sim uma mini-volta! ehehehe


Como habitualmente depois de um secretariado eficiente, do briefing inicial e de uma partida a horas, a malta embrenhou-se nos trilhos da Raia, com aquele gosto de sempre - uns depressinha, outros assim-assim, outros ainda a desfrutar, que era o meu caso, uma vez mais a bordo da minha Arábica SS, da qual já tinha saudades a ponto de estranhar a posição de condução elevada... parecia que ia num sofá...sem molas! Eeheheheh



A falta de chuva fez das suas, pois ainda mal tinhamos chegado ao Torrão, já ia a malta toda a cuspir terra tal era a poeirada que se fazia sentir nos trilhos... sem dúvida a parte "mais dificil" dos trilhos deste ano! E o grande responsável pela minha mini-volta!

Em bom andamento, sempre bem acompanhado pelo Rui na sua 29er, o Carlos Farinha, o João V. o Bruno e mais alguns amigos, fomos somando kms, parando eu aqui e ali para umas fotos para embelezar este post, apreciando os trilhos da Raia que não cansam!... há sempre mais um cantinho ou outro para descobrir!


Já depois de um par de subidas ali para os lados do Torrão. bem ao meu gosto e da mudança única da SS, surgiram algumas descidas bem adrenalinicas, que nos iam aproximando de Proença, quando entramos numa zona de regos de lama secos, bastante perigosos, para quem os conhece, pois basta tentar sair de um deles que é queda certa.


Quase já no fim dessa "regueirice" deparo-me com o amigo Pinto Infante com cara de caso... e com a dissipação do pó, um camarada caido no chão... Bem, lá tivemos de intervir e ajudar o companheiro caido, pois inspirava alguns cuidados!


Entre as dificuldades inerentes de trazer uma ambulância até ao local - honra seja feita aos esforços da organização e dos Bombeiros da Idanha, lá conseguimos encaminhar o rapaz para o hospital e segundo "informações previligiadas" afinal não passou tudo de um susto, á mistura com alguns pontos e de certeza muitas dores no corpo. Só acontece a quem gosta  e anda nestas coisas!


Depois de todas estes precalços fiquei eu, o Pinto e o Nelson sozinhos, mesmo na cauda do pelotão, ultrapassados até pelo vassoura... Acabamos por ir até Proença onde a malta do abastecimento esperou por nós (obrigado!) e onde depois de ponderarmos o avançado da hora e os quilómetros que ainda nos faltavam, decidimos regressar a Idanha por estrada onde chegamos perto das 12 h e com pouco mais de 35 km andados... uma estreia absoluta para mim! eheheheheheh


Mas fiquei a saber uma coisa... isto de chegar cedinho tem algumas vantagens... tive bebida fresquinha á chegada, lavagem sem fila para a minha bike, um balneário de água quentinha só para mim e tempo suficiente para ver chegar alguns amigos á meta... acho que "me habituava a esta vidinha!"


Com alguma da malta amiga já reunida (malta dos 50km), lá fomos provar o porco no espeto, que mais uma vez estava divinal, com direito a repetirmos e tudo... uma imagem de marca que fica e que relembramos ano após ano!


Ora com tanta "repetidela" de porco, o calor que se fazia sentir e a muita "desidratação" da malta, começou a implicar um vai-vem constante até á "barraquinha" dos "sumos da Vialonga" para repormos os niveis do liquido amarelado até que... até que o "amigo responsável pela torneira", com receio que ficassemos desidratados, veio até á nossa mesa e deixou-nos lá esta bela garrafinha á disposição... ora digam-me lá onde é que há um evento que nos faça disto????? 


Termino com os sinceros parabéns á organização, que mais uma vez soube trazer com qualidade, muita gente de todos os cantos do pais até á Idanha, para um evento daqueles... Há poucos com este nivel de qualidade e dedicação. Para o ano haverá mais e lá estaremos novamente!

FMike :-)