domingo, 15 de março de 2015

Carpe Diem

Boas a todos

A expressão não é minha, mas é, desde há muito, parte da minha filosofia de vida, e um objetivo quotidiano que prezo. De antiga que é, a expressão esconde no seu latim original, um significado textual de "aproveite o dia". Contudo o seu verdadeiro significado para mim é muito mais abrangente. Costumo acrescentar ao "aproveita ao máximo o presente" a minha própria expressão "todas as oportunidades que a vida te dá".


Reconheço que não é fácil dizer que sim a tudo o que vai de encontro e mexe com a nossa filosofia de vida, a nossa integridade profissional e a nossa postura pessoal e familiar! Mas tento dar o "jeito"! A vida é tão breve que acho que vale a pena o esforço para a aproveitarmos ao máximo, sempre que esta nos dá boas oportunidades!


Aprecio as bicicletas desde que me lembro de ser gente, embora só tenha aprendido a andar na escola primária e só tive a minha primeira bicicleta (usada!) aos 10, 11 anos. E também vem dos tempos do ciclo, o gosto pelo atletismo, embora este tenha sido sempre um "parente pobre" dos programas educacionais da minha geração.


Juntar o running ás bikes, tem sido uma decorrer natural para mim. Há mais de 4 anos, que volta, não volta, junto uma "pedalada" a uma "runnada", "saboreando" depois o "cansaço bom" que fica na memória dos músculos. 


O dia de hoje refletiu um pouco a filosofia do Carpe Diem e juntou-lhe o meu gosto pessoal por ambos os desportos. Fui fazer o meu primeiro Duatlo oficial, em espírito competitivo - o Duatlo de Fátima.


As oportunidades surjem quando menos se esperam. Em Fevereiro, fui desafiado pelo Nelo e pelo Catarino a experimentar a modalidade pela cores da equipa do Clube de Triatlo do Fundão. A minha primeira ideia é que era impossivel, pois sem tempo de qualidade para treinar afincadamente, só me vinha a ideia que ia lá "arrastar-me" e pouco contributo traria à equipa. Mas a filosofia falou mais alto: "Vai"! 


E assim fui! Sem grandes (quase nenhum!) treinos dedicados, desde a Maratona de Sevilha, atascado em trabalho, sabia que não ia ser fácil. Mas nada nesta vida é. E acima de tudo tinha de sentir que ia divertir-me a fazer algo de novo na vida! E diverti!


Com bons amigos e integrando uma equipa fantástica de topo, ouvir quem já sabe destas coisas, dá uma ajuda preciosa para tentar perceber a "mecânica da coisa"... "check-in", "mount", "dismount", transições, olha o dorsal para a frente e para trás, não te esqueças de apertar o capacete, fixa o local da bici... foram "conselhos de ouro", tanto para mim" como para a Cristina Salavessa, outra estreante nestas andanças no dia de hoje!


Chegamos a Fátima, cerca de 1 hora e meia antes da nossa partida que seria pelas 11:30 h. O ambiente era já de festa, algo já esperado num evento com 750 inscritos! Era tempo de cumprimentar o resto da equipa que já tinha chegado e tratar das formalidades, algo inédito para mim... dorsal da federação, chip, plaquinha de identificação para a ginga... passo a ser o 4276!


Preparado o material, fomos ainda dar uma vista de olhos aos trilhos. O circuito contava com cerca de 10,5 kms, ao qual iriamos dar 2 voltas, tudo isto paredes meias com a A1 em plena serra de Aires e Candeeiros... E o que já esperava confirmou-se. Trilhos com muito areão, pedra e mais pedra. Ia ser duro não pelas subidas mas sim pela exigencia técnica. E ainda nao sabia da missa metade! :-)


O tiro de partida foi dado a horas, para a 1ª parte, um running com 5 kms em terra batida, areão e muitas viragens de ângulo fechado, tudo isto num ritmo simplesmente alucinante! Eu, bem mais habituadinho à resistência e pouco a velocidades, a modos que "estranhei". Mas depressa "entranhei" e pernas para que vos quero! Mesmo com um piso mauzinho, fui posicionando-me bem para a 2ª parte dedicada ao BTT, seguindo sempre atrás do Nelo.


Na hora da transição, tive receio da confusão de mudar de sapatilhas, pôr capacete, pegar na bike e ir a correr até á zona de "mount". Mas dei-me bem, fazendo tudo de forma eficiente e saindo para os trilhos sempre colado ao Nelo. Mas depois tudo mudou.


Neste tipo de provas pode ser-se um bom atleta de running, mas é na bicicleta que temos de estar muito fortes! Nos primeiros kms técnicos, mas muito rápidos, consegui manter-me por perto, mas logo que a parte técnica cresceu - leia-se pedras e mais pedras e subidas mais exigentes, perdi algum do fôlego. Sem encontrar um grupo que rolasse à mesma velocidade, ultrapassei e fui ultrapassado, progredindo no terreno sempre bem "achocalhado" pela terrivel pedra, em belissimos trilhos, quase todos entre imponente floresta, aqui e ali entrecortados com troços mais duros e muito técnicos, alguns perigosos até. 

  

Para terminar a primeira volta tinhamos ainda uns simpáticos singles, vestutamente batizados de "trilho da gatinha" e "trilho dos pobres"... a "gatinha" não a vi, só pedra e drops engraçados a cms de paredes de pedra... já os pobres que fizeram o 2º single "tinham bebido um copos", pois era um single cheio de curvas fechadas entre árvores, onde apesar de tudo safei-me bem com a 29. A segunda metade foi mais fácil, pois já conhecedor dos atributos dos trilhos, tive a oportunidade de me manter com a atleta feminina que ganhou o duatlo, e que felizmente rolava à minha velocidade, permitindo-me manter na sua roda praticamente até ao fim.


Chegados ao parque de transição seguiu-se novamente o "stress" de mudar de equipamento e estacionar a bike. E também aqui correu bem. Era tempo de fazer a 3ª parte, a corrida final. Em bom ritmo, depressa venci os 2 kms que me separavam da meta, que cruzei ao mesmo tempo dessa primeira atleta feminina, com um tempo de 1:29 h. Já a Cristina, no seu duatlo de estreia, subiu ao podium como V2 feminina, em 3.º lugar. Muito bom!


Tenho a perfeita consciência que posso fazer melhor - mas somente o treino me permitirá isso. Mas também tive outra certeza - gostei da experiência, e tenciono repetir sempre que possivel e tenha condições laborais para tal. Aquela intensidade e toda aquela envolvência sabem bem e fazem bem à motivação. Sim, eu sei que é competição para a maioria das pessoas, mas até aqui, nesse espírito, podemos desfrutar de um dia bem passado. Eu desfrutei!


Para o CT do Fundão, "repetiu-se" a toada! Mais uma vez os seus atletas de topo, repetiram a proeza e venceram, "limpando" os primeiros lugares. Percebe-se rapidamente que ali há boa disposição, entrosamento, companheirismo e espirito de equipa! Bonito de se ver! Também a organização/federação mostrou que é uma "máquina bem oleada", pois um evento daquela dimensão, não será fácil de liderar! Mais... pela envolvência de "miúdos e graúdos" estarão ali muitos atletas de futuro. Um trabalho importante para o desporto nacional!


Aos amigos e familia que me apoiaram e à Rosario a quem devo todas estas fotografias, apenas deixo o meu sincero OBRIGADO! Ao CT Fundão um OBRIGADO especial pela oportunidade que me deram!

FMike :-)   

sexta-feira, 13 de março de 2015

Cafézinho nas Olelas

Boas a todos!

Dia de greve! Sim sou aderente e serei sempre que vir um país a duas velocidades, com diferenças gritantes entre quem trabalha, produz e pouco recebe e quem pouco ou nada faz, não produz e muito tem! Permitam-me este desabafo que pouco efeito pode ter no "status quo" existente, mas que me "lava a alma" e me faz continuar!
 

Como era aderente, teria de cumprir os cuidados mínimos entre as 12 e as 16 h, os tais cuidados que nunca são mínimos, são globais, pois lidamos com pessoas doentes e não com máquinas ou parafusos. Isso é outra "guerra"!


Ora com metade da manhã livre, e com competição amanhã, o bom senso aconselhava descanso e relaxamento antes de ir trabalhar 12 h. Pois aconselhava, mas não é para mim. Logo ontem o JV, também ele um aderente, desafiou-me para irmos dar umas pedaladas tranquilas, numa volta curtinha, que o tempo não dava para mais.


E assim foi. Entregues e orientadas as "crias", fizemos uma voltinha circular, aqui pelas redondezas, apenas com a subida ao restaurante das Olelas, que há muito não apanhava aberto.


Aproveitando a simpatia do atual proprietário, bebemos ali um bom café, sem antes termos perdido a oportunidade de nos refastelar nos bons sofás presentes no espaço. Houve quem tivesse tempo para um desabafo: "Ficava já aqui a bater uma soneca"! :-) 


Ciclismo lúdico só para a semana há mais! Amanhã acho que me vão doer as pernas... depois conto por aqui.

FMike :-)

quarta-feira, 11 de março de 2015

Caminho dos Franceses - Versão 2015

Boas a todos!

Boas aventuras com bons amigos e familiares, seja a correr, andar ou a pedalar, são momentos que sempre que a minha "super-animadissima-vida" permite, faço questão de acompanhar e viver!


O "bocadinho" que temos de vida neste mundo, às vezes é pouco para tudo o que queremos abarcar e desfrutar. Volta que não volta, temos para o mesmo dia uma série de eventos ou aventuras, as quais não queremos perder nenhuma.


O passado domingo foi um desses dias! As "solicitações" eram mais que muitas! Havia motas, pedestre, até ponderei nao fazer nada e desfrutar de um verdadeiro dia de descanso. Mas não, isto de ficar parado não é bem comigo...


O Nelo lançou cá para fora, o repto de irmos revisitar alguns trilhos do Caminho dos Franceses que tinhamos pedalado em 2013, com algumas nuances novas, propostas pelo Carlos Gonçalves. E o repto foi aceite por uma mão cheia de rapazes cheios de vontade de ir ver aquelas bonitas paisagens.


Bem cedinho, eu (FMike), o Nelo, o Fidalgo, o Vasco e o Nuno Maia dirigimo-nos para Figueira de Castelo Rodrigo, onde já nos esperavam junto ao Convento de Sta Maria de Aguiar, o Carlos Gonçalves, o Carlos Gabriel, o Luis e mais 2 amigos da Guarda e Mêda.


Foto: AQuelhas

A saida de Figueira em direção à Espanha fez-se por uma série de trilhos, alternados com estrada (sem alternativa) até Almofala, local onde cruzamos o supostamente "renovado" GR22. A seguir a esta aldeia entramos num par de singles bem catitas que nos levaram até Escarigo, uma parte renovada do percurso de 2015.


Esta é a última localidade em Portugal sendo que entramos em trilhos espanhois até La Bouza, a primeira terra espanhola que passamos. Logo de seguida vem Puerto Seguro, onde podemos pareciar algumas particularidades do Caminho de Santiago, que nesta parte está bem evidenciado, com albergues antigos, hoje recuperados.


A partir daqui começa uma das partes mais "loucas" do percurso... a super adrenalinica descida até à Ponte dos Franceses sobre o rio Águeda, hoje cheia de sol, alguma lama escorregadia, alguns peregrinos, mas nada que impedisse desfrutar por ali abaixo! Uma loucura de paisagem, uma beleza impar, um hino a quem gosta de caminhar e pedalar! A conhecer sem dúvida!


A saida da ponte faz-se em direção a San Felices los Galegos, por uma verdadeira parede, quer pela inclinação, quer pela exigencia técnica para a fazer. Mas houve quem insistisse e consegui-se fazer ate ao fim. Por minha conta alternei algum pedestre, com muitas partes à força de pedal, que me fizeram ver uma coisa.... seja 26 ou 29, o importante é haver pernas! Sem elas, nada feito!


Em San Felices tivemos o primeiro momento cultural, onde com os bons conhecimentos do Carlos, fomos visitar o museu do azeite, um espaço cultural muito bem recuperado, a fazer lembrar o bonito lagar de Proença-a-Velha.


Como o calor ja apertava, tivemos logo por ali o 2.º momento cultural, com uma "Mahou" 5 estrelas, bem fresquinha num dos bares locais. Menos mal, para coonseguirmos ver "bem" o espetacular single track que fizemos ao sair daquela aldeia em direção a Ahigal Los Aceiteros.


Numa toada entre o sobe e desce, os "acumulados" iam-se somando, mas a boa disposição também e depressa chegamos a Sobradillo, uma bela aldeia, cheia de monumentos graniticos, a começar pela série de cruzes á entrada da aldeia, que demarcam bem o caracter religioso daquelas paragens.


Não paramos aqui, seguindo sempre pelas arribas do "Duero", aqui e ali brindadas com singles de enorme qualidade, mas pefeitamente cicláveis, ideiais para por os "cabelinhos em pé" aos mais medrosos e fazer subir e bem a adrenalina aos mais afoitos. Fantásticos!!!


Chegados à estrada C517 que leva diretamente a La Fregeneda, a opção lógica seria seguir por aqui, mas era estrada! Com o "dedo" do Carlos, alongamos o percurso inicial para conhecermos outra aldeia espanhola perdida nas arribas, Hinojosa de Duero, onde para de lá sair era preciso alguma "paciência"!


O Carlos avisou. O single é "extreme" ou seja, nalguns sitios é preciso um "kit de unhas" mas vocês vão gostar.... e gostamos, sinceramente! Não é um single fácil, mas que "aquece a alma" para quem gosta de dar umas pedaladas, ai isso aquece! Muito bom!


Segiu-se La Fregeneda onde não paramos, dada a vestuta quantidade de bares passivel de nos dar de comer e beber, pois eram mais que horas de almoço e queriamos algo mais sólido.


Sempre em toada descendente, avistamos o bonito Douro/Duero, entrecortado nas suas encostas ora com socalcos de vinha a perder de vista, ora com inúmeras amendoeiras em flor, a fazer lembrar as encostas nevadas da nossa Serra. Muito bonito!


Em pouco mais de 4 kms passamos do cimo da arriba a cerca de 500 m de altitude, até aos 140 metros ao nivel quase do Rio Douro, numa paisagem verdejante, sempre entrecortada aqui e ali com passagens mais aceleradas, mais uma vez, produtoras quanto baste, de adrenalina pura, sempre com os olhos cheios da bonita paisagem.


Em Barca d' Alva cruzamos o rio Águeda pela ponte nova, em direção ao mercado semanal, que ao domingo assume ali proporções de multidão em excursão e confusão confusa! O que vale é que a malta da zona conhece e depressa arranjamos um simpático café, com uma boa esplanada, onde pudemos desfrutar de da cerveja fresquinha e alguma comida sólida, pois as "agruras" do dia ainda nao tinham terminado.


Enquanto alguns "menos corajosos" ficaram por ali á espera do transporte rodoviário até Figueira, meia duzia de nós pegamos na bici e começamos a enfrentar os 21 kms de subida que nos esperavam entre vinhas, amendoeiras e oliveiras.


Sem grandes safanões (não era dia para isso), em ritmo certinho e pedalada certa, fomos vencendo sempre juntos os imponentes fragões, onde nem o ar corre e o calor já apertava. Nada que não se faça!. Cá em cima a paisagem muda radicalmente e parece que entramos nuam paisagem "lunar" pejada de rocha granitica por todo lado.


Bem na nossa frente, o "caroço" de Figueira de Castelo Rodrigo, lembrava-nos que a aventura estava quase no fim. Em cadência certinha, ate porque tinhamos a "2.ª parte" à espera, depressa fizemos os kms finais ate ao Pavilhao Desportivo, onde o Carlos tinha combinado para podermos tomar um duche e mudar de roupa. Um duche de água quente, diga-se, que soube pela vida!


Findo o retirar do pó do corpo, esperava-nos um petisco à antiga! Um café dos bons, daqueles que tem uma sala ao lado da cozinha, resguardada, onde pudemos apreciar umas boas moelas, a febra e a entremeada, em doses "industriais", capazes de alimentar "um quartel"! Tudo isto sempre com a boa da "mine" geladinha e claro bons momentos de risada, com o Fidalgo, como de costume, a animar as hostes!

Foto: C. Gonçalves

Um domingo excelentemente bem passado, na excelente companhia de bons amigos de sempre, animadas pedaladas e bons petiscos. Obg Carlos, Obg Nelo!!!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Pedaladas semanais... ao fim de semana!

Boas todos!

No passado sábado, o corpinho pedia algum descanso e preparação mental para a pedalada de domingo que se afigurava um pouco mais exigente que o habitual, ainda por cima sem ter tido grande tempo para descanso, desde a maratona de Sevilha.


Uma coisa é o que o corpinho pede... outra é o que lhe damos, que vontadinhas lhe fazemos! E a vontade de lhe fazer vontadinhas era nenhuma! :-)


Assim apareci para o habitual convivio cicloturistico pelas estradinhas do "condado", com um lote de amigos, alguns dos quais já não via há algum tempo.


No Modelo apareceram para pedalar o JValente, o Luís Lourenço, Joaquim Afonso, o Leandro e um pouco mais tarde o Nelo, o Ricardo e o Miguel. Tava um bom grupinho para irmos dar umas pedaladas tranquilas! Bem, eu disse tranquilas? Pois, não... :-)


A ideia foi subirmos ate ao Casal da Serra, beber um café em S Vicente e voltar. Em bom ritmo e animada conversa depressa chegamos ao Louriçal. Aqui as hostes dividiram-se um pouco. Uns subiram a rampa mais dura, a do Casal da Serra. Outros, como eu, subiram a rampa n.2 um pouco menos comprida, mas igualmente agreste.


O que vale é que os cantis podem sempre encher-se com facilidade na bela fonte de S. Vicente. É que o calor já aperta, e água fresca faz sempre falta! E que boa que ela estava!


Bebido o café e dados alguns dedos de conversa na pastelaria do costume, regressamos a CB, umas vezes em modo TGV, outras em modo calmo. Ninguem é obrigado a ir rápido e uma vez que é apanágio de irmos sempre esperando uns pelos outros, logo que o "ataque das abelhas" passa! :-)


Terminamos com uma para a "abaladiça", na esplanada do "jardim das oliveiras", onde já se passa um bom bocadinho à conversa, com estas temperaturas amenas um pouco fora de época!

FMike:-)