domingo, 17 de novembro de 2013

Monforte da Beira e Malpica do Tejo

Já com algum atraso na escrita das crónicas asfálticas… venho hoje relatar uma voltinha 5***** que integrei no passado dia 2 de Novembro. Reunimos numa única manhã 11 asfálticas, algo inédito (pelo menos para mim)!


Clika na imagem...
No ícon "Crónicas"... tens o relato integral!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Outono na Estrela - 2013

Já lá iam perto de 4 meses… é verdade, 4 meses sem pegar na bicicleta todo o terreno! O entusiasmo pela asfáltica tem crescido e as lides académicas que ainda não viram o seu términus ditaram um encostar do BTT quase completo! Contudo à oportunidades e iniciativas que se sobrepõem… e se não as aproveitamos ficamos a “chorar” o facto de não termos lá estado!


A edição anual do “Outono na Estrela” com assinatura do Agnelo Quelhas tem sido daqueles passeios lúdicos que apenas não marco presença por razões de força maior. Este ano na sua 4ª edição, tudo se conjugou para passar um dia pleno de diversão na companhia de bons amigos e paisagens deslumbrantes vividas e desfrutadas em cima da minha BTT. Vamos lá então…por partes!


O ponto de encontro foi em Manteigas onde reunimos 2 simpáticos grupos de bons amigos. De Castelo Branco, fui eu (João Valente), Agnelo Quelhas, Abílio Fidalgo, Nuno Dias e o Nuno Maia (Alcains). Da cidade da Guarda e Figueira de Castelo Rodrigo vieram com o Pedro Quelhas mais 3 companheiros. Juntamos assim um grupo de 9 pedalantes ávidos por descobrir algumas das muitas belezas que a Serra da Estrela nos oferece nesta altura do ano.


Com início de pedalada pelas 9:30, saímos de Manteigas ao som das águas gélidas do Zêzere, rumo à Mata de Faias… em pendente ascendente para depressa aquecer! A mata das faias é um dos pontos idílicos da Serra da Estrela, especialmente nesta época do ano. As cores outonais em mistura com uma espetacular luz matinal a trespassar por entre os recortes das árvores fazia-nos sentir numa outra dimensão. Espetáculo!


Praticamente sempre em ascensão, dirigimo-nos para o Mondeguinho com paragem obrigatória nas típicas sandes de presunto de pão centeio. Uma “coisa monstra” mas suculenta para dar força para uma jornada ainda dura que tínhamos pela frente até atingir o ponto mais alto do dia a 1580 metros na Santinha.



Aqui a paisagem despida e polvilhada com rasgos de nevoeiro também não deixa de ser especialmente bonita. O agreste da serra faz-se sentir… frio cortante e vento, fazem o grupo avançar mais depressa rumo à Srª D'Acedasse, primeiro por entre vegetação mais cerrada e piso técnico onde as cores outonais se voltam a sentir em força e depois por um troço recentemente asfaltado que veio injetar alguma adrenalina extra à descida, onde se atingiram velocidades na ordem dos 60-70km’s! Pura da loucura!



Com cerca de 35Km’s percorridos e já uma boa cota parte do acumulado vencido, foi tempo de repousarmos um pouco mais ao largo da capela da Nossa Srª D’Acedasse e abastecermos um pouco mais à laia de almoço. Tínhamos pela frente ainda uns caroçitos para vencer e mais paisagem para desfrutar!



Uma vez mais em pendente ascendente tomamos rumo em direção ao Alto da Azinha, local preparado para a largada de parapentes e asa-deltas. Uma autêntica varanda panorâmica que nos faz sentir mesmo insignificantes perante a dimensão que nos rodeia. Sem dúvida…um dos momentos altos do dia!


A tarde avançava a passos largos, contudo as passagens pelo Alto do Vale da Amoreira, Sameiro e o final em São Gabriel brindaram novamente o grupo com as espetaculares cores que caracterizam este percurso: Outono na Estrela.


A aventura finalizou com a chegada aos nossos carros de apoio em Manteigas! Estavam finalizados cerca de 60km’s repletos de bons momentos e paisagens inolvidáveis! Faltava mesmo o típico lanche final em Vale de Amoreira, com os já tradicionais peixinhos fritos, febras “a palito” e queijo “quase morto” do Café Ideal, num ambiente formidável de camaradagem e boa disposição.


Para mim, o dia de hoje foi mais um daqueles que dá grandiosidade ao nosso desporto e às relações interpessoais dos envolvidos. Foi mais página bem colorida que se escreveu na nossa vivência... 
Obrigado a todos pela partilha destes momentos!
João Valente

Caminho CB - Santiago: 11ª Etapa

Boas a todos!
Depois de uma repousante noite, entrecortada por uma trovoada cerca das 05.40 h, a manhã começou às 06:30, com um apetitoso peq. almoço no hotel. Reunidas "armas e bagagens" nas viaturas de transporte, regressamos a Oliveiras para deixar o pessoal e largar as viaturas no ponto de destino.


Reiniciamos o Caminho às 08:20 na igreja de Oliveira, logo em modo subida, em direção a Portela e depois Nostim, sempre com o vale onde corre a ribeira de Seromenha, lado a lado com a estrada. A manhâ estava húmida, com uma chuva certinha que teimava em acompanhar-nos. Ao longe, os bancos de nevoeiro entre os vinhedos permitia-nos fotos fantásticas!


A chuvinha, ia dando lugar aos primeiros raios de sol, e logo ali o arco iris começou a dominar a paisagem, ao ponto de se duplicarem! A seguir a Nostim encontramos uma igreja pequenina e um singelo cruzamento, com uma placa que indicava Ponte Cavalar.... querem lá ver que temos um ponte feita de cavalos??? :-)


Em boa descendente, entramos num caminho lajado de xisto, escorregadio quanto baste , mas bonito de percorrer. Lá embaixo encontramos a ponte, antiquíssima no seu traço, com um arco perfeito, coberto de heras que permitia uma moldura fantástica. Muito bonito.


Escondida pelo meio de um figueira, um antigo marco dita a separação de 3 concelhos: Sedielos para a direita, atrás de nós a Régua e para a esquerda, nosso destino Mesão Frio. A verdade é que não saberia nada disto, se não tivesse chegado o José, outro viticultor duriense, que se chegou á conversa, da sua modesta casa ali paredes meias com a ponte.Em discurso de quem gosta de falar, lá foi contando a sua vida enquanto nos mostrava a modesta adega.



A pendente agora era de subida, sempre por alcatrão, com destino a Mártir, uma aldeia à meia encosta entre os vinhedos da margem direita do Douro. A chuva ia dando umar da sua graça, sempre com os bancos de nevoeiro a esconderem paisagens fantásticas, aqui e ali entrecobertas pelos raios de sol da manhã.



Semprepela mesma cota denivel, a meia altura ia-mo-nos aproximando de Mesão Frio. Fazendo jus ao nome, o frio e a humidade da manhã ia-nos "entrando nos ossos", pelo que uma garrafinha de jeropiga miraculosamente surgida, deu-nos algum alento. Depois da localidade de Estrada e Quinta da Boa Vista, entramos em Mesão Frio pelas 11:00,mesmo a tempo de um reforço do peq. almoço.



Instalados na praça central, fomos criando alguma curiosidade nos presentes, pois nao será muito habitual ver um grupo de caminheiros, fazer grandes petiscadas por ali. Recuperadas energias,devidamente acompanhadas por uma boa dose de cafeína, regressamos ao Caminho já perto das 11:45 h.



O reinicio do Caminho, marca neste ponto o abandono do Douro e das suas castas generosas, virando-nos já  para a rota do Vinho Verde e para a bacia do Tâmega. A partir daqui, à cota de 260 m incia-se amaior subida de todo o Caminho de Torres, que culmina com a chegada ao ponto mais alto desta rota, a 970 m de altitude, com o Marão ali mesmo ao lado.



Começamos com uma subida recentemente alcatroda, mas com zonas deinclinação de perto de 20%, passando pelas localidades de Anquião, Portela e Graça. Enquanto subiamos, iamos vendo lá em baixo o Douro a ficar para trás e imenso Maraão a dominar a paisagem bem na nossa frente.



Sempre em pendente marcada, aproximamo-nos de Gestaçô,onde um oportuno café permitiu-nos "matar" a sede com um par de minis, porque subir, subir, subir... faz sede! Eram 13:30, estavamos a 600m de altitude e ainda faltavam alguns kms. Mas a paisagem começava a mudar, com o surgimento das primeiras vinhas em latada e alguns espigueiros.



Depois do Fojo e Águas Mortas, os últimos algomerados de casas a cerca de 800 m, entramos nos caminhos de terra batida, rumo ao cume, onde a 970 m os aerogeradores dominam a paisagem. Apesar do vento, do frio e da humidade, a paisagem era fantástica.



Em modo descendenete fomos-nos aproximando de Loivos do Monte o local onde estava previsto terminarmos mais esta etapa.Chegamos lá cerca das 15:30, registando aquilo que sabiamos ser o dia mais dificil em termos de caminhada: 22 km e perto de 900 D+, mesmoassim realizados a 4,1 km/h. Nada mau.



Seguiu-se mais um lauto almoço de grãozada com bacalhau e ovo, que fezas delicias dos presentes, pois aquela hora, o corpinho já pedia sustento. Na hora do café tivemos ainda oportunidade de conhecer melhor as gentes locais, com uma cachopa de pouco mais de 30 anos a destacar-se, por estar em plena conversa com os demais e a... cozer sapatos à mão de uma forma frenética. Um parco ganha pão de 50 centimos,cada 5 pares cozidos... à mão!



Até breve. Este fim de semana há mais, com destino a Amarante!

FMike :-)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Caminho CB- Santiago: 10 Etapa

Boas a todos!
 
Já decorreu quase 1 mês desde que realizamos mais um par de etapas na senda rumo a Santiago. Foi um mês intenso de trabalho académico, entrando numa fase que já cheira a fim! Como o povo diz, estamos mesmo a "esfolar o rabo"!
 
 
 
 
Dai todo este mais que justificado atraso. Mas cá vai um pequeno relato, daquilo que é uma bonita aventura, desta vez em plenas terras durienses, onde a vinha, a montanha e o rio dominam a paisagem. Numa palavra simples: "Lindo"!
 
 
No passado sábado dia 19 de Outubro, o dia começou cedo. Madrugar é preciso se queremos chegar ao ponto de partida com o raiar do sol. Porque é com os primeiros raios, que toda a paisagem costuma revelar-se, encher-nos o olho de bonitas paisagens e a alma de liberdade. E não nos defraudou!
 

 
Saímos de Castelo Branco ás 04:10 e ás 06:15 estávamos em Lamego. A chuva, fonte da vida, almejada por quem tem na terra o seu sustento, fez-nos companhia ao longo da mesma. Mal sabíamos que nos ia acompanhar de forma intermitente ao longo de todo o fim de semana!
 
 
Organizados os transportes e colocadas as viaturas no local de destino - Oliveira, já para lá do Peso da Régua, iniciamo-nos no Caminho pelas 07:30, pelas estreitas ruas de Lamego, que caracterizam a sua parte alta, em direção ao castelo da cidade, conhecida por Almacave. Uma parte do tecido urbano provavelmente menos conhecido, mas plena da mesma beleza que caracteriza toda a cidade. A vista daqui é magnifica!
 

 
A saída da cidade faz-se por terrenos agrícolas, em que um bonito cruzeiro serviu de ponto de foto de grupo. Daqui em pendente descendente e já pelo meio de imensas vinhas, seguíamos em direção a Souto Covo e Sande, já com o dia a despontar em toda a sua força e esplendor.
 
 
Aqui, a confusão quase se instalou ao depararmos com setas em direções opostas, sendo uma a do verdadeiro caminho milenar e a outra indicativa de um caminho mais curto, provavelmente por força das peregrinações a Fátima. Mas, decididamente, estamos nisto para calcorrear os caminhos milenares, porque é neles que se encontram os recônditos monumentos e paisagens que o caracterizam. E ainda bem que a nossa tónica é esta!
 

 
Reorganizado o grupo, à saída de Sande encontramos um duriense de gema, António de seu nome , já com algumas 60 primaveras, que da porta da sua "modesta" adega, ali paredes meias com o Caminho, nos convidou a entrar.
 

 
O intenso cheiro a mosto e a vinho não nos defraudou. Entre inúmeras garrafas, os 6000 l de vinho "normal" e cerca de 80 l de aguardente, repousavam algumas pipas com 600 l do fabuloso néctar, conhecido comercialmente por Vinho do Porto , mas ali, vincadamente, vinho generoso!
 
 
Como vinho generoso, o amigo António quis provar-nos de onde vem  tão puro adjetivo. Generosamente, com recurso a um jarro daqueles que as nossas avós utilizavam para a água de lavar a cara, encheu-o de uma das bicas e com um garboso sorriso encheu-nos os copos com um néctar daqueles que não conhecemos em lado nenhum... aveludado, com o toque certo de álcool, com o sabor imenso das uvas de xisto, que a região demarcada apregoa. Sublime!
 

 
Mas o tempo corria e ainda tínhamos muto pela frente. Com uma alegria liberta pelo efeito generoso, descemos até ao vale do Varosa, num local chamado Sala de Audiências do Diabo, dominada a jusante com o paredão da barragem e lá bem em baixo pela lindíssima ponte romana que atravessa o rio.
 
 
Eram 10:10 h mas a sensação é que o tempo aqui parou com todas aquelas marcas de romanização, lado a lado com uma pequena capela dedicada ao N. Sr. da Boa Morte. Percebe-se bem porque o Caminho passa aqui! Icónico!
 

 
Depois de um workshop sobre geocaching, iniciamos a subida do vale até Valdigem, onde às 10:45, o nosso carro de apoio nos esperava para mais um peq. almoço daqueles que nem nos hotéis de 5 * apanhamos! Ótimo!
 
 
Saídos de Valdigem, o Caminho embrenha-se nas inúmeras quintas, plenas de vinhedos, montes e vales, até onde a vista chega! Os rios Corgo e Varosa embrenham-se nesses vales, sempre bem lá embaixo. A sensação é de estarmos no topo do mundo, com todo a vinha aos nosso pés. Lá ao fundo o Douro brilhava com as 3 pontes de Peso da Régua a dominarem a paisagem. Estamos definitivamente no fabuloso património da humanidade conhecido pelo Alto Douro Vinhateiro!
 

 
Eram 12:40 e a travessia do Douro faz-se pela ponte pedonal, que deveria ter servido para linha de Caminho de Ferro mas que nunca iniciou funções. Outros tempos, em que a crise soberana de Portugal ditou o abandono de inúmeras obras públicas. Um filme antigo, que agora estamos novamente a viver. Portugal é mesmo um destino de gente sem escrúpulos que se intitulam dirigentes de uma nação. Adiante!
 
 
Peso da Régua fervia de atividade turística, apesar do dia húmido e chuvoso que começava a dar sinais de querer piorar. Depois de um café junto ao rio, fizemos toda a zona ribeirinha, em direção ao ponto que marcava a subida mais dura do dia, que nos levaria a Sergude.
 

 
Em Sergude, depois de recuperarmos um pouco as forças, reiniciam-se as "hostilidades" com mais um imponente subida até Fontelas. Contudo, quem muito sobe, sabe que as vistas tornam-se cada vez mais bonitas. E apesar da chuvinha miudinha que ia caindo, era possível ver bonitos vinhedos.
 
 
De Fontelas a Oliveira, o Caminho faz-se por alcatrão, mas nem por isso é menos interessante, pois encontramos outro duriense, o sr. Diamantino que sem ser viticultor, tem no produto da safra da vinha, o seu ganha-pão. Entramos numa secular oficina de tanoeiro, onde as madeiras ganham forma e estanquicidade para acolher o generoso e dar-lhe corpo e alma!
 

 
às 15:30 estávamos no sope da Igreja de Oliveira onde demos por findo o 1º dia, com 22 km, 650 m D+, a uma simpática média de 4,1 km/h. Segiu-se o opíparo almoço e o regresso a Peso da Régua onde o Hotel Império nos iria dar guarida. Durante o resto da tarde e noite, foi tempo de conversa da boa, umas jolas para eliminar os "ácidos lácticos", e um divertido jantar no restaurante Gato Preto.
  

 
Ate breve, já com a 11 ª Etapa
 
FMike :-)