quinta-feira, 8 de março de 2012

O Caminho dos Franceses - Estrada Franca!

Boas
  
Como já perceberam os atrasos vão ser uma constante daqui para a frente.... disse á quarta, acaba por ser á quinta.... Aqui ficam as minhas sinceras desculpas, mas o tempo não dá para mais! Mas tudo se há-de fazer! Sem stress!


No passado domingo deixamos a nossa zona de conforto e desafiados pelo amigo Nelo embrenhamo-nos nas rotas milenares dos Caminhos de Santiago, aqui relativamente bem perto de nós. Um desafio com algum grau de tecnicidade e dificuldade mas que levado com calma, ponderação e boa disposição sempre se consegue completar!


Para quem não está situado, esta aventura apelidada de Caminho dos Franceses encerrava uma volta circular com inicio e fim em Figueira de Castelo Rodrigo e o seu ponto mais distante em Barca D' Alva, embrenhando-se em bonitos caminhos daquela região, alguns dos quais comuns á Estrada Franca.


A Estrada Franca ou mais vulgarmente conhecido como Caminho Francês de Santiago, deriva junto á fronteira para Escarigo, uma das povoações na qual passamos e que tem por lá um edificio cheio de simbolismos de Santiago, nomeadamente as vieiras, que encimam a albergaria quinhentista que dava abrigo aos peregrinos que por aqui pernoitavam.


Daqui tinham duas opções de trajecto: iam por Vermiosa, Vilar Torpim e Cinco Vilas passando por Pinhel em direcção a norte ou seguiam um caminho mais longo por Almofala em direcção a Barca D'Alva, sempre em direcção à Galiza e Santiago de Compostela. Como seria de esperar os inúmeros sinais, vestigios e monumentos dedicados á causa de Santiago, inundam estes belissimos caminhos da fé! Sente-se no ar todo aquele halo a história, preserverança, sacrificio e dedicação, típica dos milhares de peregrinos que por ali singraram! Numa palavra - bonito!


A saida fez-se bem cedo (6 h da matina em C.Branco - "que barbaridad" diria o CLI) para podermos estar no Convento de Sta Maria Aguiar ás 8 h, a hora marcada de partida. Num dia um pouco farrusco, com alguns pingos de chuva á mistura, lá saimos para os trilho ás 08:15 h, uma vintena de companheiros ávidos de aventura e boas paisagens, pois as dicas que o Nelo tinha mandado bem prometiam.... e não falharam!


A fantástica vintena de companheiros, 21 para mais preciso - Abílio Fidalgo, Álvaro Martins, Agnelo Quelhas, António Cabaço, Daniel Valente, Dário Falcão, Fernando Micaelo, Filipe Salvado, João Afonso, João Valente, José Marques, Luís Moreira, Nuno Eusébio, Nuno Dias, Nuno Maia, Paulo Mendes, Paulo Neto, Pedro Quelhas, Rui Salgueiro, Sérgio Marujo e Silvério Correia fizeram a primeira parte até á fronteira essencialmente por alcatrão, por inexistencia de alternativas de terra, pois por ali abundam barrancos e vales escarpados, pejados de pedra, sem qualquer tipo de trilhozito ciclável!



Depois da Nave Redonda, em Almofala ingerimos a primeira cafezada paga pelo Dario que na véspera tinha completado mais uma "Primavera" (conta muitos amigo!) e seguimos para Escarigo, passando logo de seguida a ponte sobre a Ribeira de Tourões, onde entramos na "Terra de Nuestros Hermanos".


Seguiu-se La Bouza, a ponte sobre a Ribeira de Puerto Seguro, onde uma inclinação de 15% fez bem arfar a malta! Que subida boa para aquecer numa manhã ainda farrusca e fria!


Depois de Puerto Seguro chegamos então ás arribas do Rio Águeda, onde nos esperava a maior e mais adrenalinica descida do dia, toda ela em calçada romana, aprimorada pelo escorregadio da chuvita que de vez em quando pingolhava... Que espectáculo!



Cada um no seu jeito, mais ou menos rápido, todos chegamos bem lá abaixo, com muitas muitas fotos em todo o percurso, culminando com uma derradeira foto em cima da ponte com o pessoal todo junto.


A partir dali era subir, subir, subir! Houve quem teimosamente tentasse mas teve de ser mesmo em PTT - pedestre todo o terreno! Lá mesmo em cima ainda arranjei uma pena de uma ave de rapina que me fez relembrar a minha águia Vitória, "depenada" na sexta feira por uns "azeiteiros" e um par de tamancos armados em árbitros! Enfim...ficou a lembrança!


Seguiram-se uns valentes km em estradão, aqui e ali entrecortados com alguns caminhos mais estreitos e mesmo alguns bonitos singles, passando por terras curiosas como San Felices de los Gallegos, Ahigal de los Aceiteros (mais azeiteiros?... nao posso!) e Sobradillo, todas elas ricas em património paisagistico e monumental! Muito bonito!



A "senhora" que se seguiu foi Fregeneda onde desembocamos no Festival da Almendra, algo que nao estava no programa e que veio ainda enriquecer mais o passeio, embora chuva aqui tentasse estragar a festa... mas não conseguiu!


Uma belissima "cerveza con limon" (que saudades!) complementada com um "bocadillo com lomo" fez as delicias. Meus amigos, até podia chover cantaros, mas daquela esplanada ninguem se levantou sem encher bem o estômago! Que delícia de manjar!


A partir dali tinhamos duas opções: ou seguiamos o caminho alternativo mais longo descendo até ao Douro onde passariamos a fronteira ou então arriscavamos nas velhas e degradadas pontes férreas, encurtando o caminho mas colocando alguma perigosidade no trajecto.


O Nelo (e bem!) optou pela via mais segura, que no fundo também se revelou bem bonita pois foram bons km sempre a descer por entre as amendoeiras em flor, aproximando-nos do sobranceiro Douro que embelezava todo o vale... uma paisagem de encher o olho! Se quiserem ter outra perspectiva da famosa linha férrea Fregeneda-BarcaD'Alva, espreitem aqui e sigam o "seguinte": rotadostuneis



Em Barca D'Alva cruzamos a fronteira na linha férrea e embrenhamo-nos na feira popular, passando pela bonita mas vandalizada estação de comboios, imortalizada por Eça de Queiroz em "A Cidade e as Serras", antes de ladearmos o rio Douro, prestes a iniciar a maior dificuldade do dia - a subidona de regresso!


Esperavam-nos cerca de 20 km sempre a subir até Figueira de Castelo Rodrigo, serpenteando por zonas de vinha, vales mais ou menos profundos, aqui e ali dominados pela vasta pedra granitica. Um subida respeitável com cheiro a outras aventuras emblemáticas.


Cada um ao seu ritmo lá fomos vencendo as pendentes, quando numa determina da altura, eu o JValente e o Rui Salgueiro demos conta que estavamos simplesmente perdidos, com um desvio assinalavel para a direita do trajecto original, quando faltavam 9 ou 10 km para o final. Sabiamos que tinhamos a pedalar á nossa frente o AC, o Paulo Neto, o Luis Moreira e o Silvério e que o restante pessoal estava mais atrás de nós.... tinhamos uma de duas opções - ou voltavamos atrás até á intersecção perdida e nunca saberiamos se a malta ja estava para a frente ou não... ou entao navegavamos á vista em direcção á vila, numa altura em que eu  já ia sem água há alguns quilómetros e pejado de sede.



Acabamos por seguir á vista, chegando algum tempo depois do amigo AC e do Luis, pois escolhemos pelos vistos um caminho mais curto que o original, porque o meu conta km só tinha 84 km, diferentes dos quase 90 que alguns companheiros registaram. Um lapso, que possivelmente nao teria acontecido se nao me tivesse esquecido do GPS em casa. Um esquecimento a evitar. À babuja emborquei quase litro e meio de água assim que cheguei ao carro! Ninguém levou Sagrespam!


Pouco a pouco foi chegando a malta, pelos vistos com mais alguns enganos de percurso, mas sem problemas, pois toda a gente chegou inteira ao destino. Alguns continuaram até á casa do Fidalgo para mais alguma confraternização, mas nós comedidos no tempo pois tinhamos outra mala de viagem para fazer, seguimos para CBranco, com o "papinho" cheio de bons momentos!

Fica um agradecimento ao Nelo pela fantástica aventura! Haja outras similares!

FMike:-)

domingo, 4 de março de 2012

Caminho dos Franceses

Espreitem aqui... basta clicar na imagem

Lá para quarta feira ponho o texto!

quinta-feira, 1 de março de 2012

A Volta de "Pedro Paredes"

Off-topic - Amigos e amigas), se gostam mesmo de pedalar descontraidamente entre gente porreira, deixo-vos um conselho… não se metam em Mestrados! Eles irão tirar-vos um bem precioso chamado “tempo”!!! Ah… e, se têm blog’s… pior ainda! Vão deixar de ter tempo para escrever uma palavrinha que seja!! Temo mesmo que estas sejam as minhas últimas palavras por este cantinho nos próximos tempos… :( Fotoreportagens sem fim… adeus, até daqui a 2 anos!!! Estou inconsolável!!! Buuuaaahhhhhh buuaaahh!


Obrigado pela permissão de plágio (quase) integral Agnelo!


O dia de hoje reservava-nos uma volta delineada pelo Pedro Antunes, agora também apelidado de Pedro Paredes! Vá~se lá saber porquê! Ehehehe… Nice!!!


No centro cívico juntaram-se 19 BTTistas vindos de vários pontos da cidade (e arredores), formando um colorido grupo e bem alegre por sinal! Bateu-se mais um record de “ajuntamento” no Centro Cívico! Onde vai isto parar!?


A saída do dia foi para os lados do eucaliptal do Pônsul, onde estavam reservadas algumas descidas de arrepiar e subidas de fazer saltar o coração. Umas sucessivas a outras lá foram sendo superadas! Adorei!


Muitas das rampas tinham inclinações próximas dos 40%, sendo necessária muita perícia e força corporal para as conseguir vencer. Umas com sucesso outras nem tanto… certo é que todos tivemos de fazer alguma porção pedestriana!


A bom ritmo, fomos subindo, vencendo o eucaliptal, até entrar em domínios dos Maxiais para um animado café no “Café do Joca”.


Seguiu-se depois uma passagem pela Serra das Olelas e a descida às Sarnadas, onde estava prevista uma pequena surpresa! Íamos ser filmados do ar por um amigo do Fidalgo, facto que não veio a suceder por imprevistos do “gingarelho filmador”!! A filmagem ficou adiada para as proximidades da cidade de Castelo Branco.


Depois das Sarnadas rolámos em direção a Castelo Branco, passando por um bom lote de single-tracks na zona das Benquerenças. Aqui o comando passou pelas linhas orientadoras do Luís Lourenço! Ofereceu-nos alguns cantinhos bem “malucos”… daqueles que não se conseguem tirar do Google maps! Ehehehe…


A chegada a Castelo Branco foi feita pela Barragem da Talagueira, onde fomos mesmo filmados pelo “gingarelho voador”! Por falar nisso… e o filme???? Onde está ele???


A manhã "desportiva" acabou no jardim do Nuno Maia a comer um pouco de entremeada e a beber uma cerveja fresquinha... mais uma surpresa (final) que soube muito bem! Nuno Maia… obrigadão!

No total foram cerca de 55Km’s (um pouco mais musculados), numa volta que serviu de “aperitivo” para aquilo que iremos ter no próximo dia 4 de Março… lá pelos Caminhos dos Franceses!

Au Revoir
Fiquem bem…

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Com sabor a tradição!...

Boas a todos

Não vão assim tão longe os anos em que cá por casa, no aconchego do núcleo familiar da nossa quinta, espetava a faca a 2 porquitos para nosso consumo, com obtenção de saborosos enchidos, bom presunto e uma carne com sabor peculiar, bem diferente do bife industrializado que habitualmente compramos, proporcionando a todos os membros da familia um fim de semana diferente, carregado de tradição.


A matação era então uma das melhores oportunidades de juntar a malta toda, fugindo á tipica reuniao em casamentos e funerais. Trabalhava-se, brincava-se, comia-se, bebia-se e sobretudo passavamos bons momentos descontraidos em ambiente de familia, hoje em dia tão esquecidos pelo lufa lufa do dia a dia. Tempos que se recordam com saudade...


Bem mas hoje o Joao Afonso proporcionou á malta que pode alinhar um regresso simbólico a esse tempo, juntando a familia Albiciclista em torno de um petisco habitual das matações - a famosa fritada! E os "esfomeados" eram: Pedro Barroca, Moreira, Nelo, João Afonso, Silvério, Luis Lourenço, Álvaro, João Caetano e eu (FMike).


Não foi uma matação, é verdade, mas o desafio implicava algum trabalho (pedalar até ao local!), brincadeira (sempre em alta!), comer (estava óptima!), beber (muito!) e claro reunir a familia em bons momentos descontraidos (conseguido!)

Foto JAfonso

Vamos então ao trabalho!
O percurso com cerca de 90 km previligiava a visita a algumas das nossas mais reconditas aldeias, tudo quase na zona mais a oeste de Castelo Branco, conhecida pelas suas subidas e descidas, o ideal para nos abrir o apetite para o petisco!


A saida fez-se pelas 9h da loja do João, onde pudemos apreciar a mais recente "elegante" do grupo, a bonita "amante" do Luis Lourenço, que responde pelo nome de "Madona"!


Uma bike com quadro costumizado, diferente, bem equipada, muito levezinha, mas que tem um defeito, pois traz a pedaleira "empenada"... querem lá ver que enganaram este nosso amigo? Eu sei de quem já se está a "babar" por uma pedaleira assim...


A primeira parte, com alguns empinanços, levou-nos até ao Salgueiro City, seguindo-se os cruzamentos do Barbaido, Chão da Vã e de seguida á esquerda até Vale Ferradas. Na Grade entramos numa estradinha que não conhecia (só em terra!) que nos levou até à Malhada do Cervo, onde bem batemos na casa do amigo Luis Dias para nos "molhar o bico" mas... ainda nao estava por lá!


Sem stress... depois da Serrasqueira e á saida de Mendares, um amigo do João fez o obséquio e brindou-nos com uma jeropiga com 3 anitos que estava no ponto! Mas nem as festas do Barroca á "nossa" águia produziram resultados... o apito tava... negro!



Depois de entrarmos na normal EN 233 que nos leva ás Sarzedas onde nao entramos, seguiu-se um novo desvio á esquerda para a S. Domingos, onde um já famoso grito se ouviu: "Abatanado!" - e parou tudo!


Seguimos até á Lomba Chã, entrando depois na estrada para Sto André, onde o velho avião repousa serenamente, a ver quem passa!


Não chegamos á EN 233, pois voltamos para o Pereiro, onde nos esperavam mais algums empinadelas, boas para abrir o apetite, seguindo-se uma nova estradinha recem alcatroada que ja conhecia do BTT e que nos levou até ao Casal Águas do Verão´, onde no "Café do Pinta", nos esperava o ansiado petisco!


Ok, acabou-se o trabalho! Vamos aos comes!
A ementa como ja foi publicitado incluia a apreciada fritada, que para quem nao sabe é a fritura da carne cortada e temperada para os chouriços e que habitualmente se come no segundo dia de matação depois de passar a noite na marinada que dá o gosto a este enchido. Um petisco de lamber os dedos, eu que o diga!


Esta um pouco diferente do habitual (á moda das Sarnadas de S Simão) não deixou de ser comida, pois alem de tudo o mais estava bem acompanhada do enchido assado (que bela morcela!), e no fim com o bom queijo picante que ajuda sempre a "desenjoar" o almoço!


Ora um belo petisco deste merece sempre um bom acompanhamento liquido... vamos á bebida!
As honras matinais foram feitas com jeropiga na adega de Mendares... mas aqui o tinto, foi rei! Embora alguns "infieis" tenham ido para a cevada, este petisco requer ser sempre bem acompanhado pelo bom do tinto, e este nao foi excepção!
  

E com um petisco tão "light", há que lhe dar digestivo e isso também não foi esquecido, pois o Luis Dias, que acabou por nos fazer companhia ao almoço, brindou quem quis com uns "licores beirões" pois hoje era o seu aniversário!


A tarde prolongou-se pela visita da adega do pai do Luis em Mendares, paragens no Cafe Belo da Taberna Seca e uma visita á Quinta Dr. Beirão para a sossega... Esta última parte tive de declinar por força da necessidade de estar em CB antes das 15 h pois a Maria tinha uma tarde de trabalho á espera e eu ficava de baby sitter!


Bem ja tá quase tudo falado desta "Matação"! Falta o bom ambiente de familia com descontração e brincadeira! Esse bom ambiente esteve presente sempre, desde as muitas brincadeiras em grupo a pedalar, quer depois durante o petisco... e se dúvidas há aqui ficam duas fotos que o ilustram - dois bons "animadores" desta familia albiciclista!



Termino com agradecimentos á malta pelo convite e claro pelo excelente dia que tivemos, hoje em versão roda fininha, um "território" que teremos de explorar mais vezes!

FMike :-)

Pós-Edit:
Bem fui apanhado com a boca na botija!... Perdão... com a boca cheia! A fritada, é extremamente rica em...gorduras! Uma vez por entre outra não mata ninguém, até porque depois disto ainda faltava a boa da subidona do Ocreza até á Taberna Seca, e ai... até as gorduras desaparecem! Ehehehe


Quanto ao copo de tinto, para quem nao sabe, é lhe atribuido propriedades gastronómicas importantes tanto na digestão das gorduras como pela sua riqueza em riboflavonas, importantes na protecção contra enfartes e AVC's. Importante é a moderação - nada de fazer como o outro tipo que ao se ver proibido pelo medico de beber mais do que um copo por dia, arranjou um copo de 2 litros....

Quanto ao Blue O mais uma vez fez sucesso, com alguma malta menos habituada a este logotipo, a perguntar sobre o blog do Btt com diabetes... e lá seguiu a mensagem. Se quiserem saber mais espreitem aqui: http://omeubtttemdiabetes.blogspot.com/