terça-feira, 8 de março de 2011

3.ª Rota do Azeite - Proença-a-Velha

Boas a todos!
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As origens da aldeia de Proença-a-Velha fundem-se nas origens da nossa própria nacionalidade de tão antiga que é, perdendo-se o rasto do seu nascimento nas brumas do tempo. Até á sua doação em 1165 por D. Afonso I aos Templários, pouco se sabe da sua génese, mas viria a atingir o estatuto de Vila e Sede de concelho entre 1218 e 1836, contabilizando nesta altura perto de 900 habitantes, tendo chegado a possuir forte representatividade no reino.
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Com a reforma administrativa no séc. XIX foi perdendo a sua importância na região, chegando a uns modestos 282 habitantes em 2001. Rica em património – diversas casas apalaçadas, duas Igrejas, duas capelas, uma ermida, pelourinho, cruzeiro, e um soberbo núcleo museológico dedicado aos Lagares de Azeite, as suas gentes orgulham-se do seu passado, reflectindo-o na intensidade da vivencia das suas tradições, algumas das quais com fama além fronteiras.

Desde 2003, sobretudo para quem tem algumas ligações á terra (o meu caso), temos assistido a um recrudescimento dessas tradições e a introdução de novas iniciativas transformado uma aldeia de “velhos” (deixem passar a expressão), num foco regional de vigorosa actividade turística, cultural e de lazer.

Aliadas às intensas tradições da Quaresma e Páscoa, Romaria do Sr. do Calvário e o Madeiro, actividades como o Festival do Azeite e do Fumeiro, Festival das Sopas e o Encontro de Acordeonistas têm trazido um novo fôlego à aldeia, promovendo e divulgando os produtos e artesanato da região, sempre com muita animação á mistura, dando nova fama á região, á aldeia e às suas hospitaleiras gentes.

Já na sua 3ªa edição, a Rota do Azeite tem contribuído para o crescente interesse por esta pitoresca aldeia. Inserido neste “apetitoso” festival acaba por complementar com a vertente desportiva, um festival que já, por si só, move multidões para degustar os famosos enchidos e o fino azeite da região.

E se os Trilhos da Raia puseram a vila de Idanha no mapa cicloturistico, como a catedral do BTT, esta Rota do Azeite está a pôr Proença no mesmo mapa, como a Rainha dos Singles. E... falemos de singles. Há quem os aprecie pela sua beleza paisagística… outros pela qualidade ciclável… outros ainda pela intensa comunhão com a natureza que os envolve. Mas reunir todas estas qualidades num só par de singles não é tarefa fácil… mas a Rota do Azeite consegue-o!

Por detrás do sucesso desta Rota do Azeite estão sem dúvida as gentes empreendedoras desta terra, incluindo os seus dirigentes, mas também, seja feita a merecida vénia, a máquina bem “azeitada” da ACIN, com créditos dados na organização destes eventos. Mais uma vez brilhou!

Para nós BTTHAL foi uma estreia absoluta. Conheço parte dos trilhos, conheço a aldeia de “gingeira”, conheço muita da sua gente e muitas das suas actividades, às quais costumo dizer presente - Sopas, Azeite e Madeiros. Mas vir em passeio de BTT organizado foi a primeira vez. Mas provavelmente não será a última. Excelentemente organizado, e sem reparos a fazer, só posso dizer uma coisa á ACIN e a Proença: Continuem!

A história do passeio resume-se em poucas palavras. Mas por mais que se escreva nunca conseguiria transmitir toda a plenitude desta Rota, marcada fortemente pelos inúmeros singles percorridos. Seguramente mais de 50% da rota foram single-tracks, todos eles cicláveis, paisagisticamente excelentes e sempre diferentes. Foi uma aposta arriscada, pois singles a mais cansam! Mas a organização sabia com o que contavam, apostaram forte e ganharam o reconhecimento dos participantes. Proença é mesmo a Rainha dos Singles!

Depois da costumeira azáfama em torno dos dorsais, juntar a malta e encaminhá-los até ao ponto de partida - um portal bem inserido no espirito do recinto do festival, a saida para os trilhos fez-se a horas e com uma boa moldura humana.

A saída fez-se pela bonita rua do Castelo (já não vestigios deste), com o povo a sair á rua e a apoiar tamanha agitação. Aqui um par de anciãos observava a malta em alegre algazarra, comum no começo dos bons eventos.

No fim da rua davam-se as primeiras pedaladas nos trilhos e logo com um bonito single descendente com uma vista fantástica sobre o rio Torto. Com algumas pedras mais escorregadias da humidade dos ultimos dias fez atrasar um pouco a fila, mas eram perfeitamente cicláveis com o jeitinho e a pericia de cada um.

Era tempo de conviver e fotografar, enquanto a fila se ia despachando monte abaixo, sempre com a cabeça do pelotão lá embaixo, bem lançada... é um passeio?!

Depois da travessia do rio, mais alguns pares de singles, agora em plena floresta aberta de propósito para nós... Excelentes!

Alguns estradões fizeram o pelotão esticar ficando a nossa "massa associativa peregrina" para trás com mais alguns bons amigos, uma constante em todo o trajecto. Até parecia que iamos á procura da Labruja!

Mais um par de singles junto à ribeira, com o Ricardo a mostrar como se domina a bike!

A chegada a Medelim fez-se por mais uns fantásticos trilhos, onde o tom primaveril começa a dominar as vistas!

Mias uns fantásticos singles, agora serpenteando entre muros, sempre com a mistica de tentar descobrir o que estava depois de cada curva.

Muito bonitos mesmo... Aqui a amiga Tê a mostrar toda a sua veia bttista, desfrutando toda esta bonita natureza.

No primeiro abastecimento houve tempo para reencontar amigos e fazer novos - num projecto fantástico, o Carlos Farinha a mostrar que é possivel conciliar BTT e Diabetes. O seu "BTT tem Diabetes" merece uma visita!

Fotozinha de familia... só faltou mesmo alguns amigos importantes e a "Cerveza con Limon" para parecer que estavamos em Santiago!


A saida de Medelim deu direito a mais uns quantos singles, sempre de elevada qualidade.

Faltou a pedalar o grande fomentador do Flower Power, mas a malta não se esqueceu dele! Flower Power!!!!!

Numa zona de altos e baixos tipo quebra-pernas a malta foi-se divertindo com as travessias das ribeiras.

O Bruno a mostrar toda a sua garra.... enlameada Q.B.!

Para chegar ao 2.º Abastecimento era preciso subir, sempre com o alto Monsanto em pano de fundo!

A aproximação á Barragem Marechal Carmona esconde recantos destes... só mesmo de BTT se consegue absorver toda esta beleza natural!

Na Herdade do Torrão, bem junto ao lençol de água, os pingos de chuva apareceram, mas não amedrontaram... A malta queria mesmo era aquele divinal porco no espeto, fatiado no pão... Muito bom!

À nossa chegada já pouco restava... O Bruno bem queria meter-lhe os dentes... nós não deixamos!

Mais uns fantásticos singles bordejando a zona de entrada do rio Torto na Barragem... Sempre fantásticos, ligeiramente diferentes dos Trilhos da Raia...

Subidinha agreste para as curvas de nivel sobrancieras ao Rio, aqui com o Alziro a mostrar como se domina a bike!

Na cota mais ascendente a paisagem era esta... soberba, distante, quase selvagem!

À medida que nos aproximavamos de Proença, os singles multiplicavam-se sempre na mesma cota de nivel com uma vista fantástica sobre o vale do Rio Torto.

Lá embaixo as inúmeras quedas e represas faziam-nos olhar para o vale... excelente paisagem!

Depois de uma nova subida, Proença esperava-nos tranquila, brindando-nos com mais alguns singles ao seu redor.

Estes caminhos rurais de outrora, fizeram hoje, séc. XXI as delicias dos bttistas lúdicos!

A chegada fez-se perto das 14 h, seguindo-se um banho "retemperador" de água á temperatura ambiente (brrrrr!!!.....) e claro um lauto almoçinho no Núcleo Museológico do Azeite.

A malta amiga mais uma vez juntou-se e confraternizou, sempre em redor do tema habitual - as bikes, os trilhos, as aventuras, brindados com umas fatias de um apetitoso queijo da região patrocinado pelo amigo Fidalgo.

O almoço incluiu uma ementa tradicional do fumeiro, arroz de feijão com carne porco com o tempero dos chouriços... Muito bem apaladada! O Afonso ainda tentou "enganar" o CLI com uns jerseys ACIN, mas como bom espanhol, o CLI regateou, regateou... (sem sucesso!)

A feira cá fora continuava em grande animação com tempo para provar aqui e ali o enchido, o bom queijo, encimados com umas mines.

No palco pela tarde fora cantou-se á desgarrada, para gáudio do povo, que em massa encheu o recinto do festival, enquanto aqui e ali se iam enchendo os sacos com enchidos para mais tarde...consumir!

Em jeito de conclusão só posso terminar com uns sinceros parabéns á Organização - ACIN e Proença-a-Velha, por terem proporcionado aos convivas deste BTT excelentes momentos nos trilhos raianos, primorado com um bom almoço e uma excelente hospitalidade das gentes da aldeia.
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Ao grupo de amigos que nos acompanhou, obrigado pela vossa companhia. Santiago criou saudade e deu vontade de pormos em marcha novos projectos que nos reunam novamente! Vão pensando nisso!
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FMike :-)




quarta-feira, 2 de março de 2011

Há dias assim...

Boas a todos!

Perante a adversidade temos um de dois caminhos... deixamo-nos vencer, encolhemo-nos, e tristonhos abandonamos o nosso projecto ou alegramo-nos, vencemos a contrariedade com um sorriso e afastamos o mau karma sempre a pensar no futuro.
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Foi assim neste domingo passado em plena Espanha, com um grupo homogéneo de apreciadores do bom BTT - sorrimos e seguimos em frente! Eu gosto mesmo é de andar de bicicleta! Que o digam eu (FMike), o AC, o Luis Lourenço, o Pedro, o Silvério, o Luis Cabaço, o Tiago, o Ferrão e o Domingos.

O dia começou cedo, muito cedo, sobretudo para mim que tinha dormido pouco devido ao trabalho que acabou, como sempre, tarde e ás más horas. Sono e distracção ditaram logo a primeira esquecidela... Á chegada a Hoyos constatei pelo peso do camelbag que parte da comida e parte do meu material de apoio tinha ficado em CBranco. Que raio de sorte. Ao lado o AC queixava-se do mesmo, mas ainda pior... esse tinha lá deixado o camelbag com a água e tudo...

E ao longo do dia outras peripécias foram acontecendo, inclusive na hora de regressarmos a casa. A ver:
- A maioria da malta teve algum tipo de queda, felizmente todas sem problemas de maior...
- Duas avarias graves, eficazmente bem resolvidas - um dropout partido do AC e um rasgão XL no pneu do Tiago...
- A perda do conta-quilómetros XPTO do Silvério...
- Por fim uma trancadela de um dos carros com a chave lá dentro...

Perante tais adversidades poderia passar-nos pela cabeça "mas que raio de mal fizemos nós a Deus", mas não... Cada uma que ia surgindo, a malta dava a volta, resolvia e segui em frente... e assim se cumpriu mais um grande Raid AC, desta vez pelas inóspitas paisagens da Sierra de Gata.

Nunca aqui tinha pedalado, mas valeu bem a pena. Com uma paisagem milenar, em que as pedras transpiram história, a paisagem faz lembrar um pouco da Estrela, um pouco da Lousã, sempre com cheiro a desafio altimétrico, pleno de bons momentos. E foi!

Ja aqui foi dito que o grupo era homogéneo e sem dúvida bem-disposto. E nestas coisas é meio caminho andado. Por mais difícil que a coisa se pinte, com boa disposição, passo certinho e alguma experiencia, torna-se relativamente fácil vencer os km deste tipo de bons Raids.

A rota com saída de Hoyos passagem por Perales, até Villasbuenas de Gata foi tranquila ao mesmo tempo que preventiva do que se esperava - alguns tracks técnicos, alguma lama á mistura forma o mote para na hora matutina fazer despontar entre a malta os primeiros "suspiros" a pedalar. Mas seria a subida ás antenas de Gatas, a fazer correr os primeiros pingos de suor apesar da temperatura relativamente baixa.

Nada que esmoreça ninguém. Lá de cima a paisagem era soberba, e a passagem da cota de nível para o outro lado da serra mostrou continuidade naquilo que é uma paisagem de montanha magnifica... imagina isto em tempo de neve!

A Aldeia de Gata era logo ali, bem escondidinha no sopé da montanha, com um carreirinho ascendente a subir pela montanha acima - a calçada romana via-se ao longe! O que nos espera...


Na aldeia foi tempo de retemperar sólidos e líquidos, com direito á primeira foto de grupo, com o Domingos a mostrar todo o seu potencial brincalhão, uma constante no percurso todo. Retemperadas forças e depois de algumas voltas nesta tipica aldeia espanhola, cheia de turistas ocasionais - caminheiros, trialeiros e afins, era tempo de começarmos por assim dizer as ascensão mais "dura" do dia - a subida de mais de 5 km de calçada romana até ao Puerto de Castilla.

Escrevi dura entre aspas, pelo simples motivo de que o meu "cânone" de calçadas era a de Monsanto e depois de trepar esta, já nunca será igual subir Monsanto. Esta pela sua plenitude, extensão e exigência merece destaque. Foi uma das mais bonitas subidas que já fiz! E pelos vistos não sou o único a pensar assim, pois ao longo da mesma, foram inúmeros os grupos de aventureiros a subir ou a a descer esta maravilha românica, a pé, a cavalo, de moto.

A subida terminou com um misto de sentimento de conquista e boas sensações. Perfeitamente controlado, em toda a ascensão, foi uma subida até "fácil" para mim, apesar da exigência técnica e física, sobretudo nesta atípica pré-época. Quem não a conhece, recomendo um saltinho até lá. Vale a pena!

Era agora tempo de fazer um misto de subidas e algumas alucinantes descidas, já com o Jálama ao longe a mostrar toda a sua imponência. Mais um par de trilhos e mais alguns caminheiros depois, a quem desejamos "buena ventura", chegávamos então ao sopé do Jálama. Imponente dominava-nos com a sua magnificência, mas não nos intimidava... era tão-somente mais um "caroçito" que íamos vencer!


Por trilhos com tanto de soberbos como de difíceis fomos vencendo a escala altimétrica, sendo brindados a meia altura com a visão da placa toponímica do Jálama... aqui até os montes são de utilidade pública! Este... já era!

A partir de agora era sempre a descer, por um caminho de curva de nível, pejado de pedras e precipícios, mas muito apoteótico! Que espectáculo de imponência da dimensão da altitude! Ao longe as aldeias pareciam miniaturas do Gulliver e as barragens serenas poças de água! A descida fez-se sem percalços, mas sempre em grande descarga adrenalinica, pois a sua exigência a isso obrigava - total controle da bike. Que treino de técnica! O Nelo aqui iria gostar de usar a FS e o João já o estava a ver em periclitante equilibrio...

Pouco a pouco, a vegetação de altitude era substituída pelos carvalhos á medida que nos aproximava-mos do sopé do monte, onde ainda fizemos alguns singles até entrar novamente em Hoyos. Eram quase 16 h e a barriga pedia. Era tempo de "cerveza e das tapas". O dia terminava com o sol a pôr-se e um conjunto de amigos em alegre confraternização numa modesta mesa de botequim. Ficam as memórias de um excelente dia de BTT.

FMike:-)

Sierra de Gata.... o video!

Enquanto o post nao sai... sai o video!

terça-feira, 1 de março de 2011

BTT... na Foz do Cobrão!

A cada Domingo que passa cresce a vontade para que o próximo venha bem depressa. E porquê? Percursos fenomenais, adesão invulgarmente surpreendente (ou não!), ambiente impecável, crescente de forma e logo conforto e gozo em pedalar natureza fora! O Domingo, 27 de Fevereiro não foi excepção! Azimutes apontados à sempre deslumbrante Foz do Cobrão! Nesta zona conjuga-se a paisagem natural esculpida por um Oceano Antigo com a imaginação do Homem que ali impôs a sua cultura agrícola de subsistência. Um óptimo local para ir em busca da aventura!

Em vésperas acreditei que pouca gente aparecesse no Centro Cívico… percurso um pouco mais exigente que o habitual, alguma malta já tinha ido passear as “anoréticas” na manhã de Sábado, existia evento ligado ao BTT lá para os lados de Nisa, o Raid AC-Trilhos e Aventuras em busca das pedregosas Gatas também aguçou apetites… enfim! Pensei… que certo, certo aparecia eu e o Agnelo… mas… surpresa das surpresas… 10 ávidos de aventura marcaram presença! Ora deixa cá ver se consigo enumerá-los (!) todos: Cabarrões (Pai e Filho), Homens PT (Pedro e Álvaro), Bruno Dias, Sérgio Marujo, Agnelo Quelhas, António (não sei o sobrenome!), eu (João Valente) e o João Caetano.

À semelhança do que temos feito em voltas mais prolongadas pedalámos em asfalto até ao cruzamento das Benquerenças, permitindo um bom aquecimento muscular e um adianto vantajoso aos ponteiros do relógio! Daqui em diante os trilhos (mais secos) foram reis e senhores! Seguimos até à Padaria dos Amarelos para pequena pausa cafeínica onde o famoso panike de chocolate foi substituído por bolo mármore… quem comeu disse estar delicioso!

Daqui seguimos com objectivos delineados até ao Vale do Ocreza… uma descida bastante longa… propícia aos audazes da técnica! Já perto do rio abre-se diante dos nossos olhos uma paisagem soberba de todo o vale escarpado, com o som da corrente do ocreza a ecoar! Muito… muito bonito! De facto… faço minhas as palavras do AC, quem percorre trilhos como estes é decerto amante do “Real BTT” em prol da sua virtualidade. Não poderia estar mais de acordo com as suas experientes palavras!

Se a descida faz descarregar níveis elevados de adrenalina… já a subida que se segue é bem libertadora de toxinas através das glândulas sudoríferas! É nesta vertente do BTT que mais gozo tenho, e também onde me sinto mais adaptado! Cada um ao seu ritmo lá fomos galgando a inclinação para depois reunirmos no topo e seguirmos em direcção às Ferrarias!

A abordagem fez-se por um vale que culmina numa pequena ribeira afluente do Rio Ocreza… tendo depois pela frente uma encosta de pinhal sem trilho! Sabemos que do outro lado se encontra o trilho… há assim a necessidade de carregar as “burras” às costas e galgar a encosta até que no seu topo se apanha o caminho uma centena de metros mais á frente! Já aqui passei 2 ou 3 vezes e é sempre um momento hilariante ouvindo os diferentes tipos de comentários da malta!!! Ehehehe…

Já numa cota mais elevada, seguimos alguns Km’s em plano para depois enveredar novamente no desce, desce, desce, desce… até velho e abandonado Lagar do Carril… lá bem ao fundo! Mais uma panorâmica brutal com os montes e vales a fugir ao alcance da nossa vista! Magnífico!

A ponte em pedra sobre a ribeira demarca a fronteira entre a descida e o sobe, sobe, sobe, sobe durante cerca de 3Km’s até à estrada que dá acesso ao Vale da Pereira! É mais um local onde os mais afoitos “rodam o punho” e em saudável picardia guerrilham pelo “pódio do nada” até ao topo! Tudo isto é BTT entre amigos! Hoje… no topo… até tivemos prémio! Surpresa… o João Afonso esperávamos de máquina fotográfica em riste para captar a malta de “pulmão na boca”! Boa Surpresa!

Insistência do João Afonso e após fotografia de grupo, seguimos até ao Café da Fonte Longa para uma bebida oferecida pelo João. Se bem o conheço… hoje mergulhado na tristeza de não ter podido integrar o grupo das “Gatas Espanholas”… mas, meu ver, decisão ponderada e acertada em recuperar primeiro, para depois, gozar à brava por esses trilhos fora! João… envio abraço daqui, com aquela força!!! Ah… e obrigado pela Coca (cola)! Ehehehe…

A Fonte Longa, foi o local de divisão de grupo… aqueles que queriam estar na cidade mais cedo, seguiram rumo a Alvaiade. Os restantes (Agnelo Quelhas, Pedro Antunes, Álvaro, João Caetano e eu (João Valente)… seguimos os objectivos iniciais de “mergulhar” na beleza agreste da Foz do Cobrão, arriscando a chegada a Castelo Branco um pouco mais tarde que o habitual! A meu ver… decisão acertada, pois valeu bem a pena!

Agora com o grupo resumido a 5 elementos, seguimos até à Ribeira do Alvito… onde (mais uma vez!) exercitámos a nossa técnica (cada vez mais apurada!) em atravessar ribeiros com caudal de inverno! Na verdade, começo a achar que Domingo sem água até ao joelho… já não tem piada! Felizmente o Agnelo… faz sempre as vontades e brindou-nos com mais esta espectacular travessia! Estamos peritos! Venham ribeiras…

Daqui em diante temos umas centenas de metros em pendente ascendente até atingirmos uma cota mais plana que nos brinda todo o mágnifico vale, com o rio Ocreza lá bem em baixo, demonstrando a sua fúria nesta altura do ano. À margem esquerda do Ocreza aflui a ribeira do Cobrão. Foi aí que nasceu a antiga povoação que mais tarde subiu encosta acima, fixando-se num local paisagens singulares. A crista quartzítica da serra das Sarnadas emoldura-a e abriga grifos e cegonhas-negras que, lá do alto, observam rochas com cerca de 500 milhões de anos marcadas pela ondulação e pelos fósseis de um oceano que já não é. O Rio Ocreza espelha-se a seus pés antes de galgar o açude construído há anos. Pedalamos numa das zonas mais bonitas da nossa Beira Baixa…

Ainda bem que as autarquias estão a apostar no geo-turismo! Conseguimos ver algumas melhorias sinaléticas e algumas estruturas de apoio ao turista! Foi numa destas que contemplámos todo o esplendor avassalador da paisagem e tirámos uma fotografia ao grupo dos 5, que obstinadamente quiserem cumprir os objectivos do dia!

Seguimos depois em direcção a Sobral Fernando, pela ladeira da serra. A paisagem composta pelas gargantas rochosas do Ocreza não larga o nosso campo visual e a cada pedalada que avançamos a superação do grandioso sucede. Muito Bonito! De Sobral Fernando desceu-se à ponte (com vista do açude) e aqui começa a dura (apesar de asfaltada) e longa subida até ao Miradouro das Portas do Almourão, com passagem pelas ruelas da aldeia da Foz do Cobrão.


Após vencida a subida contemplámos em grupo as Portas do Almourão e toda a sua envolvência. Não nos alongámos muito no tempo, pois estávamos em clara desvantagem na luta contra os ponteiros do relógio… e ainda tínhamos um regresso à cidade para fazer!


Decidimos fazer a (ainda longa) abordagem à cidade via asfalto. Apanhámos um vento bem forte de frente durante todo o regresso… dificultando a progressão! A chegada à cidade pelas 13:45, não foi assim tão tardia como imaginávamos! O atalho por estrada fez-nos ganhar algum tempo apesar do vento contra.

Totalizámos 75Km’s ao longo da manhã, cerca de 1350 metros de acumulado de subidas e uma mão cheia de boas recordações e excelentes paisagens. Uma manhã impecável!!! Para a semana, não compareço no habitual ponto de encontro (Centro Cívico) pois a malta BTTHAL vai marcar presença na III edição da Rota do Azeite lá para os lados de Proença-a-Velha!

A todos… um grande Abraço…
João Valente