Boas a todos!
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As origens da aldeia de Proença-a-Velha fundem-se nas origens da nossa própria nacionalidade de tão antiga que é, perdendo-se o rasto do seu nascimento nas brumas do tempo. Até á sua doação em 1165 por D. Afonso I aos Templários, pouco se sabe da sua génese, mas viria a atingir o estatuto de Vila e Sede de concelho entre 1218 e 1836, contabilizando nesta altura perto de 900 habitantes, tendo chegado a possuir forte representatividade no reino.
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Com a reforma administrativa no séc. XIX foi perdendo a sua importância na região, chegando a uns modestos 282 habitantes em 2001. Rica em património – diversas casas apalaçadas, duas Igrejas, duas capelas, uma ermida, pelourinho, cruzeiro, e um soberbo núcleo museológico dedicado aos Lagares de Azeite, as suas gentes orgulham-se do seu passado, reflectindo-o na intensidade da vivencia das suas tradições, algumas das quais com fama além fronteiras.
Desde 2003, sobretudo para quem tem algumas ligações á terra (o meu caso), temos assistido a um recrudescimento dessas tradições e a introdução de novas iniciativas transformado uma aldeia de “velhos” (deixem passar a expressão), num foco regional de vigorosa actividade turística, cultural e de lazer.
Aliadas às intensas tradições da Quaresma e Páscoa, Romaria do Sr. do Calvário e o Madeiro, actividades como o Festival do Azeite e do Fumeiro, Festival das Sopas e o Encontro de Acordeonistas têm trazido um novo fôlego à aldeia, promovendo e divulgando os produtos e artesanato da região, sempre com muita animação á mistura, dando nova fama á região, á aldeia e às suas hospitaleiras gentes.
Já na sua 3ªa edição, a Rota do Azeite tem contribuído para o crescente interesse por esta pitoresca aldeia. Inserido neste “apetitoso” festival acaba por complementar com a vertente desportiva, um festival que já, por si só, move multidões para degustar os famosos enchidos e o fino azeite da região.
E se os Trilhos da Raia puseram a vila de Idanha no mapa cicloturistico, como a catedral do BTT, esta Rota do Azeite está a pôr Proença no mesmo mapa, como a Rainha dos Singles. E... falemos de singles. Há quem os aprecie pela sua beleza paisagística… outros pela qualidade ciclável… outros ainda pela intensa comunhão com a natureza que os envolve. Mas reunir todas estas qualidades num só par de singles não é tarefa fácil… mas a Rota do Azeite consegue-o!
Por detrás do sucesso desta Rota do Azeite estão sem dúvida as gentes empreendedoras desta terra, incluindo os seus dirigentes, mas também, seja feita a merecida vénia, a máquina bem “azeitada” da ACIN, com créditos dados na organização destes eventos. Mais uma vez brilhou!

Para nós BTTHAL foi uma estreia absoluta. Conheço parte dos trilhos, conheço a aldeia de “gingeira”, conheço muita da sua gente e muitas das suas actividades, às quais costumo dizer presente - Sopas, Azeite e Madeiros. Mas vir em passeio de BTT organizado foi a primeira vez. Mas provavelmente não será a última. Excelentemente organizado, e sem reparos a fazer, só posso dizer uma coisa á ACIN e a Proença: Continuem!
A história do passeio resume-se em poucas palavras. Mas por mais que se escreva nunca conseguiria transmitir toda a plenitude desta Rota, marcada fortemente pelos inúmeros singles percorridos. Seguramente mais de 50% da rota foram single-tracks, todos eles cicláveis, paisagisticamente excelentes e sempre diferentes. Foi uma aposta arriscada, pois singles a mais cansam! Mas a organização sabia com o que contavam, apostaram forte e ganharam o reconhecimento dos participantes. Proença é mesmo a Rainha dos Singles!
Depois da costumeira azáfama em torno dos dorsais, juntar a malta e encaminhá-los até ao ponto de partida - um portal bem inserido no espirito do recinto do festival, a saida para os trilhos fez-se a horas e com uma boa moldura humana.

A saída fez-se pela bonita rua do Castelo (já não vestigios deste), com o povo a sair á rua e a apoiar tamanha agitação. Aqui um par de anciãos observava a malta em alegre algazarra, comum no começo dos bons eventos.

No fim da rua davam-se as primeiras pedaladas nos trilhos e logo com um bonito single descendente com uma vista fantástica sobre o rio Torto. Com algumas pedras mais escorregadias da humidade dos ultimos dias fez atrasar um pouco a fila, mas eram perfeitamente cicláveis com o jeitinho e a pericia de cada um.

Era tempo de conviver e fotografar, enquanto a fila se ia despachando monte abaixo, sempre com a cabeça do pelotão lá embaixo, bem lançada... é um passeio?!
Depois da travessia do rio, mais alguns pares de singles, agora em plena floresta aberta de propósito para nós... Excelentes!

Alguns estradões fizeram o pelotão esticar ficando a nossa "massa associativa peregrina" para trás com mais alguns bons amigos, uma constante em todo o trajecto. Até parecia que iamos á procura da Labruja!

Mais um par de singles junto à ribeira, com o Ricardo a mostrar como se domina a bike!

A chegada a Medelim fez-se por mais uns fantásticos trilhos, onde o tom primaveril começa a dominar as vistas!

Mias uns fantásticos singles, agora serpenteando entre muros, sempre com a mistica de tentar descobrir o que estava depois de cada curva.

Muito bonitos mesmo... Aqui a amiga Tê a mostrar toda a sua veia bttista, desfrutando toda esta bonita natureza.

No primeiro abastecimento houve tempo para reencontar amigos e fazer novos - num projecto fantástico, o Carlos Farinha a mostrar que é possivel conciliar BTT e Diabetes. O seu
"BTT tem Diabetes" merece uma visita!

Fotozinha de familia... só faltou mesmo alguns amigos importantes e a "Cerveza con Limon" para parecer que estavamos em Santiago!

A saida de Medelim deu direito a mais uns quantos singles, sempre de elevada qualidade.

Faltou a pedalar o grande fomentador do Flower Power, mas a malta não se esqueceu dele! Flower Power!!!!!

Numa zona de altos e baixos tipo quebra-pernas a malta foi-se divertindo com as travessias das ribeiras.

O Bruno a mostrar toda a sua garra.... enlameada Q.B.!

Para chegar ao 2.º Abastecimento era preciso subir, sempre com o alto Monsanto em pano de fundo!

A aproximação á Barragem Marechal Carmona esconde recantos destes... só mesmo de BTT se consegue absorver toda esta beleza natural!

Na Herdade do Torrão, bem junto ao lençol de água, os pingos de chuva apareceram, mas não amedrontaram... A malta queria mesmo era aquele divinal porco no espeto, fatiado no pão... Muito bom!
À nossa chegada já pouco restava... O Bruno bem queria meter-lhe os dentes... nós não deixamos!

Mais uns fantásticos singles bordejando a zona de entrada do rio Torto na Barragem... Sempre fantásticos, ligeiramente diferentes dos Trilhos da Raia...

Subidinha agreste para as curvas de nivel sobrancieras ao Rio, aqui com o Alziro a mostrar como se domina a bike!

Na cota mais ascendente a paisagem era esta... soberba, distante, quase selvagem!

À medida que nos aproximavamos de Proença, os singles multiplicavam-se sempre na mesma cota de nivel com uma vista fantástica sobre o vale do Rio Torto.

Lá embaixo as inúmeras quedas e represas faziam-nos olhar para o vale... excelente paisagem!

Depois de uma nova subida, Proença esperava-nos tranquila, brindando-nos com mais alguns singles ao seu redor.

Estes caminhos rurais de outrora, fizeram hoje, séc. XXI as delicias dos bttistas lúdicos!

A chegada fez-se perto das 14 h, seguindo-se um banho "retemperador" de água á temperatura ambiente (brrrrr!!!.....) e claro um lauto almoçinho no Núcleo Museológico do Azeite.

A malta amiga mais uma vez juntou-se e confraternizou, sempre em redor do tema habitual - as bikes, os trilhos, as aventuras, brindados com umas fatias de um apetitoso queijo da região patrocinado pelo amigo Fidalgo.

O almoço incluiu uma ementa tradicional do fumeiro, arroz de feijão com carne porco com o tempero dos chouriços... Muito bem apaladada! O Afonso ainda tentou "enganar" o CLI com uns jerseys ACIN, mas como bom espanhol, o CLI regateou, regateou... (sem sucesso!)

A feira cá fora continuava em grande animação com tempo para provar aqui e ali o enchido, o bom queijo, encimados com umas mines.

No palco pela tarde fora cantou-se á desgarrada, para gáudio do povo, que em massa encheu o recinto do festival, enquanto aqui e ali se iam enchendo os sacos com enchidos para mais tarde...consumir!

Em jeito de conclusão só posso terminar com uns sinceros parabéns á Organização - ACIN e Proença-a-Velha, por terem proporcionado aos convivas deste BTT excelentes momentos nos trilhos raianos, primorado com um bom almoço e uma excelente hospitalidade das gentes da aldeia.
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Ao grupo de amigos que nos acompanhou, obrigado pela vossa companhia. Santiago criou saudade e deu vontade de pormos em marcha novos projectos que nos reunam novamente! Vão pensando nisso!
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FMike :-)